GLOBO REPÓRTER – 30/05/2008
Exma. Mídia:
Assistindo a reportagem das proezas de pessoas que com sorte, saíram do nada para uma vida abastada e sabendo que são poucos no universo de pessoas existentes, me veio à mente a facilidade com que a mídia encontrou para mostrar um lado bem sucedido de uma minoria brasileira.Sabemos todos nós que a maioria vivem umas realidades diferentes, que mesmo lutando com todas as forças não conseguiram chegar lá impedidos na maior parte por injustiças e decepções sofridas. Até hoje com 47 anos de vida, nunca vi nenhum desses milhões... Receber destaque em algum canal de TV com tamanho valor ser mostrado ou reportado com tanta ênfase em um programa tradicional e famoso como o Globo Repórter, e, escrevo porque pertenço à classe desses milhões detentores de uma história diferente da mostrada com destaque em Rede Nacional em 30/05/2008. Sendo assim fica uma pergunta ainda sem resposta, porquê? Será meu mundo outro? Creio que não, pois sei que minha história, que é igual a muitas que existem e representa muito para mim, não seja de interesse das grandes reportagens ou até mesmo de opiniões defendidas por “valores” detentoras e patenteadas por grandes conglomerados de comunicação que com reportagens como a divulgada sexta-feira à noite na mídia, se abastece e ao mesmo tempo se sustenta na publicidade de incentivo do consumismo desenfreado seja o produto qual for, alimentando a ilusão e fantasia das pessoas, sendo assim catastrófico para a sociedade no despertamento da busca e cobiça... Sem precedentes daquilo que muitas vezes não se pode alcançar. Escrevo não como um desabafo, mas uma opinião de um cidadão brasileiro que como tantos outros tem uma opinião a ser defendida, mesmo assistindo, outras opiniões formadas e defendidas com unhas e dentes.
Obrigado.
Saturday, May 31, 2008
Wednesday, May 28, 2008
Crise bilateral em discussão
Os vice-chanceleres da Colômbia e do Equador, Camilo Reyes e José Valencia, se reuniram ontem no Panamá para encontrar uma solução definitiva à crise bilateral. A tensão começou em 1º de março, quando tropas colombianas invadiram o território equatoriano, para atacar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e mataram o guerrilheiro Raúl Reyes. Na semana passada, os chefes militares de ambos os países também se encontraram no Panamá, para decidir sobre o reestabelecimento da “cartilha se segurança” na fronteira.
Camilo Reyes e José Valencia já tinham conversado em 29 de abril (no Panamá) e em 13 de maio (em Lima), mas a crise persiste. Segundo o governo equatoriano, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, continua a acusar os vizinhos de serem cúmplices das Farc. As conversas iniciadas ontem também terão a participação de Víctor Rico, representante pessoal do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.
Folha de São Paulo McCain quer acordo nuclear com Rússia
McCain quer acordo nuclear com Rússia
DANIEL BERGAMASCO - DE NOVA YORK
O senador John McCain, virtual candidato republicano à Presidência dos EUA, se distanciou da política internacional unilateralista do presidente George W. Bush ao defender ontem em discurso que os Estados Unidos busquem "parcerias" globais para redução do arsenal de armas nucleares.
No pronunciamento em Denver, Colorado, McCain defendeu especialmente a negociação com a Rússia para redução de armas nucleares e também citou a abertura de diálogo com a China sobre o tema.
"A Rússia e os Estados Unidos não são mais inimigos mortais. Como nossos dois países possuem a esmagadora maioria de armas nucleares do mundo, nós temos uma responsabilidade especial de reduzir esse número", declarou, em uma clara ruptura com pronunciamentos anteriores em que foi muito mais duro com o antigo rival dos anos de Guerra Fria.
Em outro momento, o senador afirmou que os EUA devem ser "um modelo para os outros". "Isso significa não apenas perseguir nossos próprios interesses, mas reconhecer que compartilhamos interesses com povos ao redor do planeta", disse McCain, para quem a abertura diplomática se baseia no "grande e permanente poder da América de liderar".
Diferente de Bush
O pronunciamento de ontem foi o segundo no qual o senador do Arizona enfatizou sua visão sobre diálogo multilateral distinta da de Bush -que apóia sua candidatura e participou à noite de evento para levantar fundos para a campanha.
Na primeira vez em que pontuou diferenças, há algumas semanas, o candidato declarou que, como presidente, estaria disposto a fazer concessões para combater o aquecimento global. Bush, por sua vez, é pouco flexível sobre o tema, tendo retirado o país do Protocolo de Kyoto, destinado a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.
Já na política internacional sobre armas, Bush rompeu em 2002 o Tratado Antimísseis Balísticos (TAB), criado em 1972, no qual países concordavam em não construir sistemas de defesa antimísseis.
"O que McCain disse no discurso sobre armas nucleares soa muito mais próximo da política do [ex-presidente Richard] Nixon e de George Bush pai, que defendiam que os EUA deveriam ser um modelo e, assim, liderar o mundo. É um retorno à maneira de liderar do Partido Republicano", disse à Folha Matthew Bunn, especialista em política internacional e proliferação nuclear da Universidade Harvard.
"Já Bush filho não se importa em dar exemplo a ninguém e adotou uma política que o distancia do resto do mundo, como você pode ver por Guantánamo", afirmou, citando a prisão em base militar que os EUA mantêm em Cuba para suspeitos de terrorismo e onde prisioneiros denunciaram a prática de tortura.
Protesto
No salão da Universidade de Denver onde McCain fez o discurso, o candidato foi interrompido algumas vezes por manifestantes contra a Guerra do Iraque, cuja continuidade é apoiada pelo candidato. Em resposta, McCain repetiu: "Eu nunca me renderei no Iraque".
McCain ainda citou a Coréia do Norte e o Irã, com os quais "é preciso ser mais rígido" na verificação de armas nucleares, e voltou a refutar a proposta do rival democrata Barack Obama de dialogar com países "hostis".
Folha de São Paulo Documento bilateral teve três revisões
DA REDAÇÃO
No seu discurso de ontem, McCain afirmou que apóia um novo acordo de redução de armas com a Rússia para substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), que expira em 2009. O governo Bush tem se recusado a aceitar novos limites obrigatórios de redução dessas armas.
O Start, de 1991, visou a a redução do arsenal atômico das duas potências. Firmado meses antes do fim da União Soviética, foi visto como um pacto para encerrar a Guerra Fria.
O texto obrigava os dois lados a reduzirem em 35% seu estoque de armas nucleares de longo alcance, avaliado em 10 mil ogivas cada, em sete anos -a meta foi alcançada. O Start-2, que entrou em vigor em 1996, e o Start-3, de 1997, pretendem reduzir o estoque de ogivas para 2.000 de cada lado até 2012.
Segundo especialistas, os EUA dispõem hoje de pelo menos 5.300 ogivas operacionais e 5.000 em reserva. A Rússia teria 4.700 armas nucleares operacionais.
O Globo FAB muda 15% das rotas de helicópteros no Rio
Tiros contra aeronaves e aumento do tráfego aéreo são as causas; Aeronática estuda ainda outras alterações
Antônio Werneck, Fábio Vasconcellos e Taís Mendes
No ano passado, a Aeronáutica implantou no Rio novos corredores de circulação de helicópteros e alterou o desenho de algumas rotas, levando em conta a insegurança de pilotos e passageiros e também o aumento do volume de tráfico aéreo na Região Metropolitana. A informação foi revelada em nota pelo comando da Força Aérea Brasileira (FAB), admitindo que as alterações atingiram cerca de 15% do traçado, com o estabelecimento de novas altitudes, rumos e até novas rotas.
Ainda segundo a FAB, novas mudanças podem acontecer no espaço aéreo do Rio este ano. O assunto será discutido na reunião que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) realizará nos próximos meses, em data a ser definida. Na pauta de discussões, os "problemas relacionados com o movimento de aeronaves na região do Rio de Janeiro, a exemplo do que já aconteceu em São Paulo, em fevereiro deste ano", diz a nota. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou ontem a existência de registros na Gerência Regional (Ger 3) - como noticiou ontem O GLOBO - de helicópteros atingidos por balas quando sobrevoavam morros do subúrbio do Rio, em 2007.
Helicóptero foi atingido por bala na sexta-feira passada
Apesar das mudanças, um novo caso aconteceu na última sexta-feira: um helicóptero modelo esquilo AS 350 B, fabricado em 1986, foi atingido por uma bala de fuzil no tanque de combustível quando seguia, com seis pessoas, do Rio para Ibitipoca, em Minas Gerais. O incidente aconteceu por volta das 9h30m, na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha, a cerca de 500 pés de altitude (cerca de 160 metros a partir do ponto mais alto). A bala perfurou a fuselagem, atingiu o tanque de combustível e se alojou no banco a cerca de três centímetros de um dos passageiros.
Logo que percebeu que o aparelho havia sido atingido, o piloto entrou em contato com a torre de controle do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, e foi autorizado a fazer um pouso de emergência. No helicóptero, além do piloto, não identificado, estavam o empresário Arthur Bahia; a mulher, a artista plástica Mucki Skowronski; o casal de empresários mineiros Renato e Cristina Machado; e a arquiteta Márcia Müller. Ninguém ficou ferido. A Polícia Civil abriu ontem à tarde inquérito para investigar o caso.
Governador recebeu e-mail da artista plástica
O governador Sérgio Cabral assegurou que vai continuar a enfrentar os criminosos, lembrando que os moradores do Complexo do Alemão também sofrem com a violência.
- Até conheço pessoalmente as pessoas que estavam no helicóptero e fiquei muito sentido. Imagino o pavor. Nosso objetivo é dar tranqüilidade à população, seja para quem anda de helicóptero, para quem anda a pé ou para quem mora nessas comunidades, os que mais sofrem. Recebi um e-mail da Mucki (referindo-se a artista plástica Mucki Skowronski, uma das passageiras) e ontem mesmo respondi. São meus amigos. Disse que sentia muito e que imaginava o terror que sentiram - afirmou o governador Sérgio Cabral.
Os vice-chanceleres da Colômbia e do Equador, Camilo Reyes e José Valencia, se reuniram ontem no Panamá para encontrar uma solução definitiva à crise bilateral. A tensão começou em 1º de março, quando tropas colombianas invadiram o território equatoriano, para atacar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e mataram o guerrilheiro Raúl Reyes. Na semana passada, os chefes militares de ambos os países também se encontraram no Panamá, para decidir sobre o reestabelecimento da “cartilha se segurança” na fronteira.
Camilo Reyes e José Valencia já tinham conversado em 29 de abril (no Panamá) e em 13 de maio (em Lima), mas a crise persiste. Segundo o governo equatoriano, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, continua a acusar os vizinhos de serem cúmplices das Farc. As conversas iniciadas ontem também terão a participação de Víctor Rico, representante pessoal do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.
Folha de São Paulo McCain quer acordo nuclear com Rússia
McCain quer acordo nuclear com Rússia
DANIEL BERGAMASCO - DE NOVA YORK
O senador John McCain, virtual candidato republicano à Presidência dos EUA, se distanciou da política internacional unilateralista do presidente George W. Bush ao defender ontem em discurso que os Estados Unidos busquem "parcerias" globais para redução do arsenal de armas nucleares.
No pronunciamento em Denver, Colorado, McCain defendeu especialmente a negociação com a Rússia para redução de armas nucleares e também citou a abertura de diálogo com a China sobre o tema.
"A Rússia e os Estados Unidos não são mais inimigos mortais. Como nossos dois países possuem a esmagadora maioria de armas nucleares do mundo, nós temos uma responsabilidade especial de reduzir esse número", declarou, em uma clara ruptura com pronunciamentos anteriores em que foi muito mais duro com o antigo rival dos anos de Guerra Fria.
Em outro momento, o senador afirmou que os EUA devem ser "um modelo para os outros". "Isso significa não apenas perseguir nossos próprios interesses, mas reconhecer que compartilhamos interesses com povos ao redor do planeta", disse McCain, para quem a abertura diplomática se baseia no "grande e permanente poder da América de liderar".
Diferente de Bush
O pronunciamento de ontem foi o segundo no qual o senador do Arizona enfatizou sua visão sobre diálogo multilateral distinta da de Bush -que apóia sua candidatura e participou à noite de evento para levantar fundos para a campanha.
Na primeira vez em que pontuou diferenças, há algumas semanas, o candidato declarou que, como presidente, estaria disposto a fazer concessões para combater o aquecimento global. Bush, por sua vez, é pouco flexível sobre o tema, tendo retirado o país do Protocolo de Kyoto, destinado a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.
Já na política internacional sobre armas, Bush rompeu em 2002 o Tratado Antimísseis Balísticos (TAB), criado em 1972, no qual países concordavam em não construir sistemas de defesa antimísseis.
"O que McCain disse no discurso sobre armas nucleares soa muito mais próximo da política do [ex-presidente Richard] Nixon e de George Bush pai, que defendiam que os EUA deveriam ser um modelo e, assim, liderar o mundo. É um retorno à maneira de liderar do Partido Republicano", disse à Folha Matthew Bunn, especialista em política internacional e proliferação nuclear da Universidade Harvard.
"Já Bush filho não se importa em dar exemplo a ninguém e adotou uma política que o distancia do resto do mundo, como você pode ver por Guantánamo", afirmou, citando a prisão em base militar que os EUA mantêm em Cuba para suspeitos de terrorismo e onde prisioneiros denunciaram a prática de tortura.
Protesto
No salão da Universidade de Denver onde McCain fez o discurso, o candidato foi interrompido algumas vezes por manifestantes contra a Guerra do Iraque, cuja continuidade é apoiada pelo candidato. Em resposta, McCain repetiu: "Eu nunca me renderei no Iraque".
McCain ainda citou a Coréia do Norte e o Irã, com os quais "é preciso ser mais rígido" na verificação de armas nucleares, e voltou a refutar a proposta do rival democrata Barack Obama de dialogar com países "hostis".
Folha de São Paulo Documento bilateral teve três revisões
DA REDAÇÃO
No seu discurso de ontem, McCain afirmou que apóia um novo acordo de redução de armas com a Rússia para substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), que expira em 2009. O governo Bush tem se recusado a aceitar novos limites obrigatórios de redução dessas armas.
O Start, de 1991, visou a a redução do arsenal atômico das duas potências. Firmado meses antes do fim da União Soviética, foi visto como um pacto para encerrar a Guerra Fria.
O texto obrigava os dois lados a reduzirem em 35% seu estoque de armas nucleares de longo alcance, avaliado em 10 mil ogivas cada, em sete anos -a meta foi alcançada. O Start-2, que entrou em vigor em 1996, e o Start-3, de 1997, pretendem reduzir o estoque de ogivas para 2.000 de cada lado até 2012.
Segundo especialistas, os EUA dispõem hoje de pelo menos 5.300 ogivas operacionais e 5.000 em reserva. A Rússia teria 4.700 armas nucleares operacionais.
O Globo FAB muda 15% das rotas de helicópteros no Rio
Tiros contra aeronaves e aumento do tráfego aéreo são as causas; Aeronática estuda ainda outras alterações
Antônio Werneck, Fábio Vasconcellos e Taís Mendes
No ano passado, a Aeronáutica implantou no Rio novos corredores de circulação de helicópteros e alterou o desenho de algumas rotas, levando em conta a insegurança de pilotos e passageiros e também o aumento do volume de tráfico aéreo na Região Metropolitana. A informação foi revelada em nota pelo comando da Força Aérea Brasileira (FAB), admitindo que as alterações atingiram cerca de 15% do traçado, com o estabelecimento de novas altitudes, rumos e até novas rotas.
Ainda segundo a FAB, novas mudanças podem acontecer no espaço aéreo do Rio este ano. O assunto será discutido na reunião que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) realizará nos próximos meses, em data a ser definida. Na pauta de discussões, os "problemas relacionados com o movimento de aeronaves na região do Rio de Janeiro, a exemplo do que já aconteceu em São Paulo, em fevereiro deste ano", diz a nota. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou ontem a existência de registros na Gerência Regional (Ger 3) - como noticiou ontem O GLOBO - de helicópteros atingidos por balas quando sobrevoavam morros do subúrbio do Rio, em 2007.
Helicóptero foi atingido por bala na sexta-feira passada
Apesar das mudanças, um novo caso aconteceu na última sexta-feira: um helicóptero modelo esquilo AS 350 B, fabricado em 1986, foi atingido por uma bala de fuzil no tanque de combustível quando seguia, com seis pessoas, do Rio para Ibitipoca, em Minas Gerais. O incidente aconteceu por volta das 9h30m, na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha, a cerca de 500 pés de altitude (cerca de 160 metros a partir do ponto mais alto). A bala perfurou a fuselagem, atingiu o tanque de combustível e se alojou no banco a cerca de três centímetros de um dos passageiros.
Logo que percebeu que o aparelho havia sido atingido, o piloto entrou em contato com a torre de controle do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, e foi autorizado a fazer um pouso de emergência. No helicóptero, além do piloto, não identificado, estavam o empresário Arthur Bahia; a mulher, a artista plástica Mucki Skowronski; o casal de empresários mineiros Renato e Cristina Machado; e a arquiteta Márcia Müller. Ninguém ficou ferido. A Polícia Civil abriu ontem à tarde inquérito para investigar o caso.
Governador recebeu e-mail da artista plástica
O governador Sérgio Cabral assegurou que vai continuar a enfrentar os criminosos, lembrando que os moradores do Complexo do Alemão também sofrem com a violência.
- Até conheço pessoalmente as pessoas que estavam no helicóptero e fiquei muito sentido. Imagino o pavor. Nosso objetivo é dar tranqüilidade à população, seja para quem anda de helicóptero, para quem anda a pé ou para quem mora nessas comunidades, os que mais sofrem. Recebi um e-mail da Mucki (referindo-se a artista plástica Mucki Skowronski, uma das passageiras) e ontem mesmo respondi. São meus amigos. Disse que sentia muito e que imaginava o terror que sentiram - afirmou o governador Sérgio Cabral.
Sunday, May 25, 2008
Lula afirma que instabilidade na América do Sul é um 'sinal de vida'
Para presidente, união regional mexerá com tabuleiro do mundo
BRASÍLIA. Ao abrir a solenidade de assinatura do tratado criando a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as instabilidades na região são um "sinal de vida" na América do Sul. Lula disse ainda que no continente "floresce a democracia". Sem se referir às turbulências nos países vizinhos, Lula destacou que todos os governantes da região foram eleitos em pleitos democráticos e com ampla participação popular.
- A instabilidade que alguns pretendem ver em nosso continente é sinal de vida, especialmente vida política. Não há democracia sem povo nas ruas, sem confronto de idéias e propostas. Mas há tampouco democracia sem regras e diálogo - disse o presidente.
Lula afirmou que a América do Sul, unida, "mexerá com o tabuleiro do mundo". Ele aproveitou para convidar os demais países da América Latina e do Caribe a entrarem para a Unasul.
- Nossos vizinhos latinos e caribenhos estão convidados a participar dessa união, que nasce também sob o signo da diversidade e do pluralismo - afirmou.
Lula critica protecionismo de países desenvolvidos .O presidente destacou que a região passa por uma excepcional fase de crescimento econômico e, não por acaso, tornou-se um dos principais pontos de investimentos do mundo.
- Estamos superando a inércia e as resistências que, ao longo de 200 anos de vida política independente, impediram que trilhássemos juntos o caminho da unidade. Tiraremos proveito da vastidão de nosso território, banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico e pelo Mar do Caribe. Valorizaremos a diversidade de nossos povos e de nossas culturas.
Lula voltou a criticar o protecionismo praticado pelos países desenvolvidos. Disse que o crescimento da indústria e da agricultura e o grande potencial energético na região incomodam.
- Não nos deixemos iludir pelos argumentos daqueles que, por interesses protecionistas ou motivações geopolíticas, sentem-se incomodados com nosso crescimento - destacou.
Já ciente de que não seria criado ontem o Conselho Sul-Americano de Defesa, Lula defendeu, mesmo assim, o novo foro, que será instituído dentro de 90 dias. Citando como exemplo a Minustah (força militar da ONU voltada à reconstrução e pacificação do Haiti), o presidente afirmou que as Forças Armadas brasileiras estão comprometidas com a construção da paz. Ele propôs uma nova reunião no segundo semestre, no Brasil, para que sejam detalhados os objetivos e o funcionamento do conselho.
- Devemos articular uma visão de defesa na região fundada em valores e princípios comuns, como o respeito à soberania, à autodeterminação, à integridade territorial dos Estados e à não-intervenção em assuntos internos.
Ele ressaltou que todas as decisões a serem tomadas pela Unasul terão de ser por consenso. Segundo Lula, pretende-se avançar rapidamente com projetos inovadores e de grande alcance em áreas prioritárias, como integração financeira e energética; melhora da infra-estrutura regional e das conexões rodoviárias e ferroviárias; estabelecimento de uma vigorosa agenda de cooperação em políticas sociais; e fortalecimento da cooperação educacional.
Lula destacou ainda a necessidade de trocas comerciais "justas e equilibradas", para que sejam corrigidas as assimetrias entre os países da região.
- Vamos desenvolver parcerias em setores estratégicos, como indústria aeronáutica, medicamentos e equipamentos militares - disse.
O Globo
Cúpula Sul-Americana- União enfraquecida
Lula não consegue aprovar a criação do Conselho de Defesa para região
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escapou ontem de uma desmoralização na reunião de chefes de Estado da América do Sul. Ele não conseguiu emplacar seu projeto de implementação de um Conselho Sul-Americano de Defesa e, por pouco, o tratado que cria a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) não foi assinado, devido à resistência do presidente do Equador, Rafael Correa, que considerou a estrutura da nova instituição excessivamente burocrática. Correa só mudou de idéia após obter garantia de que o documento será ajustado para dar mais agilidade ao processo de integração.
Para convencer Correa de que, sem a sua assinatura, o encontro se transformaria em um fiasco, Lula foi cedo ao hotel onde ele estava hospedado. Tomou café da manhã com Correa, o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales. Segundo fontes ligadas ao Palácio do Planalto, foi uma reunião tensa, que só foi solucionada com a intervenção direta de Chávez.
- O Equador assumiu a posição de assinar o tratado, com o compromisso de melhoramos o documento, que passará a ter uma estrutura mais ligeira. Com a grande quantidade de conselhos e a burocracia, não há como funcionar a integração - disse Correa ao GLOBO, momentos antes de embarcar para Quito.
Conselho de Defesa adiado por 90 dias
Quanto ao Conselho Sul-Americano de Defesa, a proposta foi adiada por 90 dias, devido à oposição da Colômbia. Protagonista da derrubada do novo foro - que, se dependesse do governo brasileiro, seria assinado mesmo sem a adesão dos colombianos - o presidente Álvaro Uribe deixou ontem claro que a idéia não sairá do papel enquanto persistir a simpatia e a interlocução de outros países da região com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Uribe voltou a exigir que o grupo seja classificado de "terrorista".
Esse posicionamento foi discutido por Uribe com Lula a portas fechadas. A mensagem foi que o Conselho de Defesa só poderá existir com garantias de que grupos terroristas não ameacem os países da região. O Brasil, porém, é contra classificar as Farc de terroristas, sob o argumento de que a definição deve partir das Nações Unidas. Na prática, isso significa que o projeto é natimorto, diante da falta de perspectiva de consenso nessa área.
- Não aceitamos integrar o Conselho, porque temos um problema de terrorismo muito grave, que gerou dificuldades políticas com países vizinhos de povos irmãos. O Conselho precisa oferecer garantias de que grupos terroristas não possam ofender a nenhum país - disse Uribe.
E acrescentou:
- O continente deve se atrever a qualificar como terroristas todos os grupos violentos que atentam contra a democracia.
Mas o passo mais importante que levou ao recuo em relação ao Conselho foi dado pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, logo na abertura do encontro. Ela propôs o adiamento por três meses e, ainda, a criação de um grupo de trabalho cujo objetivo é analisar melhor o tema, detalhar a proposta e consolidar sugestões encaminhadas pelas nações sul-americanas.
- Propus a criação de um grupo de trabalho para que, em 90 dias, seja revisada a proposta do presidente Lula tendo em vista as preocupações que tenham cada país em relação ao tema - explicou Bachelet.
Lula não admite fracasso da reunião
Para Lula, mesmo sem o Conselho de Defesa, não houve fracasso no encontro de ontem, tendo em vista que os 12 países concordaram com a criação da Unasul - que era o principal foco da reunião, convocada extraordinariamente para esse fim:
- Aquilo que parecia impossível aconteceu aos olhos dos descrentes. A América do Sul está mais integrada do que nunca, porque acabamos de aprovar por unanimidade o tratado da Unasul.
Sobre o Conselho de Defesa, Lula lembrou que está há seis anos no poder e que as decisões que envolvem mais de um país são amplamente discutidas antes de se concretizarem.
O Globo
Ligações perigosas com as Farc
Congressistas e estrangeiros são acusados de auxiliar guerrilha. Uribe troca farpas com Correa
Numa nova frente da crise política que envolve a Colômbia, o procurador-geral do país, Mario Iguarán, revelou ontem que foram encontrados indícios de envolvimento de congressistas de Colômbia, Equador e Venezuela, jornalistas e integrantes de ONGs com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Entre os acusados está a senadora Piedad Córdoba, que participou de negociações que libertaram reféns da guerrilha. O escândalo já é chamado na Colômbia de farcpolítica, numa alusão à parapolítica, que envolve aliados do governo e grupos paramilitares.
Fontes da polícia colombiana revelaram a jornais locais que a denúncia contra Piedad Córdoba indicaria que suas comunicações com as Farc foram muito além de gestões para a libertação de reféns. Ela teria trocado pelo menos 900 e-mails com as Farc. Dezenas, feitos com o pseudônimo Teodora de Bolívar, teriam sido trocados diretamente entre a senadora e o guerrilheiro Raúl Reyes. Ontem, 56 deles foram enviados a um tribunal para a abertura de investigação.
A senadora defendeu-se afirmando que o governo pretende jogar uma "cortina de fumaça" para desviar a atenção do escândalo da parapolítica, que já levou 40 parlamentares da base governista à prisão:
- Sou uma perseguida política. Estão fazendo de tudo para mostrar que estamos em pé de igualdade. Falaram com guerrilheiros desmobilizados para convencê-los a declarar que me viram em acampamentos da guerrilha.
O anúncio da investigação ocorreu enquanto os presidentes dos três países estavam em Brasília, na criação do Unasul. Não houve o confronto que alguns temiam, mas Álvaro Uribe (Colômbia) e Rafael Correa (Equador) passaram o dia se alfinetando. Enquanto o colombiano fortalecia o discurso de que as Farc são um grupo terrorista e deve ser combatido como ameaça à democracia na região, o equatoriano rebatia que a campanha "midiática" e do vizinho deixou as relações bilaterais em estado "crítico".
Uribe começou a manhã declarando que iria desmanchar uma "armadilha" das Farc, que estaria mascarada como uma ação humanitária: o pedido de desmilitarização da região de Florida. Segundo ele, a proposta iria abrir corredores de "relativa curta distância" entre pontos estratégicos, inclusive com saída ao Pacífico.
- Vamos mostrar que por trás de um aparente espírito humanitário está a vontade de reconquistar Caguán. Nós, colombianos, não vamos cair na enganação, na armadilha, que as Farc estão tentando "vender" - disse Uribe.
Não tardou muito e assessores de Correa improvisaram uma entrevista logo após o encontro principal da cúpula. Nela, o presidente ironizou a investigação de equatorianos na Colômbia:
- Que ousadia investigar equatorianos. Sugiro que também investiguem a narcopolítica e os paramilitares que invadem a Colômbia.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que as acusações de envolvimento do seu governo com as Farc são mentirosas:
- Isso foi um show de um agente da Interpol que já trabalhou no governo dos EUA. Ele violou as regras da Interpol, faz parte da estratégia imperialista. Fontes da Interpol dizem que não é possível garantir a origem da informação.
Ontem, o procurador-geral Iguarán solicitou que a Corte Suprema de Justiça investigue os congressistas, que têm foro privilegiado: além de Piedad, a senadora Gloria Inés Ramírez e o deputado Wilson Borja. Ele pediu também que o tribunal averigue os casos da deputada equatoriana María Augusta Calle, que foi diretora da Telesur em seu país; o também equatoriano Iván Larrea, irmão do ministro da Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea; o venezuelano Amílcar Figueroa, deputado do Parlamento Latino; o antropólogo americano James Jones; e a funcionária de ONG de direitos humanos Liliana Obando. Além destes, também serão investigados os jornalistas colombianos William Parra, da Telesur; Carlos Lozano, da revista "Voz"; o ex-candidato presidencial Álvaro Levya Durán; e o colunista Lázaro Viveros.
Grande parte da denúncia se baseia em informações dos computadores que Bogotá diz ter recuperado no acampamento onde foi morto o número dois das Farc, Raúl Reyes, no Equador.
- Em princípio, (a investigação será feita) pelo que foi encontrado nos computadores, correios (eletrônicos) por exemplo. Há referências que poderiam indicar algo que vai muito além de gestões com intenção de conseguir a paz - disse o procurador-geral.
Constituinte do Equador repudia investigação
O deputado Borja e a senadora Gloria Inés teriam trocado dezenas de e-mails com as Farc. Segundo fontes da investigação, o material indica que eles excederam sua condição política, parecendo assessorar a guerrilha.
Sobre os estrangeiros, Iguarán afirmou que seria possível processá-los na Colômbia por serem acusados de crimes como atentado à segurança nacional, e financiamento do terrorismo. A deputada equatoriana acusada, María Calle, liderou a votação de uma resolução ontem na Assembléia Constituinte, pedindo que o povo do país se mobilize contra "atitudes guerreiras" de Uribe.
Já Iván Larrea, irmão do ministro da Segurança equatoriano, acusou o governo Uribe de tentar prejudicar a relação entre os dois países.
- Isso está sendo feito para gerar uma caça às bruxas e provocar uma escalada do conflito entre os dois países - disse Iván Larrea.
O venezuelano Figueroa concordou:
- Uribe busca meter a Venezuela no conflito interno colombiano.
Jornalistas e funcionários de ONGs envolvidos confirmaram os e-mails com as Farc, mas seu objetivo seria de trabalho ou para ajudar na libertação de reféns.
O Globo
Obama quer nova aliança com América Latina
Em seu discurso mais enfático sobre o continente, senador critica Brasil mas aponta país como exemplo a seguir
NOVA YORK. O senador Barack Obama fez ontem o mais importante pronunciamento sobre sua política para a América Latina, em Miami, e o Brasil foi mencionado como "exemplo a ser seguido no continente". Obama propôs uma nova "aliança para o desenvolvimento" no continente e inverteu o velho ditado que diz que "tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para as Américas".
- Minha política para as Américas será orientada pelo princípio simples de que o que é bom para os povos das Américas é bom para os EUA - disse, citando em seguida como exemplo as favelas do Rio: - Isto significa que a medida do sucesso não será apenas a dos acordos entre governos, mas também dar esperança às crianças das favelas do Rio, segurança aos policiais da Cidade do México e respostas aos apelos dos prisioneiros políticos de Havana.
Críticas à produção de etanol e ao desmatamento
Na sua proposta de nova "aliança para o desenvolvimento"para o continente, Obama diz que o Brasil tem o maior potencial de produção de energia renovável da América Latina e também alguns dos desafios para enfrentar a degradação do meio ambiente. Ele acrescentou, porém, que a liderança brasileira na produção de etanol e o desenvolvimento do país não foram alcançados sem prejuízos para o meio-ambiente:
- A Floresta Amazônica, uma região de importância fundamental e estratégica para o combate ao aquecimento global, já perdeu 20% de sua mata para dar lugar a fazendas de soja, e ambientalistas do mundo inteiro alertam que o cultivo da cana pode causar ainda mais desmatamento.
Para ele, a solução é formar uma nova parceria entre EUA e Brasil, a fim de aumentar a produtividade:
- Farei um apelo ao povo americano para formar um time de engenheiros e cientistas para desenvolver soluções energéticas limpas em vários países. Este é o único papel importante que os EUA podem desempenhar. Podemos oferecer mais do que a tirania do petróleo. Podemos aprender com o progresso feito por um país como o Brasil e fazer das Américas um modelo para o mundo. Nós podemos oferecer liderança que sirva à prosperidade e à segurança comum para todo o continente.
O senador pretende engajar-se num esforço diplomático para promover a democracia e os valores americanos, imediatamente fornecer permissões de viagens e de remessas de dinheiro, mercadorias e de medicamentos para Cuba, criar uma parceria energética visando ao desenvolvimento sustentável, lançar um programa de combate à criminalidade e ao tráfico de drogas no continente e ter um assessor especial para a America Latina em seu Ministério.
Senador chama Chávez de demagogo e autoritário
Obama chamou Hugo Chávez de "demagogo" que faz uma "perigosa mistura de retórica antiamericana com governo autoritário", e acrescentou que o presidente da Venezuela "e seus aliados não são os únicos preenchendo o vazio" deixado pelos EUA na América Latina. Ele citou a aproximação do Irã com a Venezuela e o "banco binacional financiado pelo petróleo".
O senador acrescentou que sua política para Cuba será orientada por uma palavra, dita em espanhol: "libertad". E disse que, se o regime cubano "libertar todos os presos políticos e der passos na direção da democracia", está disposto a normalizar relações diplomáticas e encontrar-se com Raúl Castro:
- John McCain diz que eu quero me encontrar com Raúl Castro como se eu estivesse em busca de um encontro social. Minha diplomacia será orientada por uma palavra, libertad, e quero ter este encontro apenas se houver chance de avançar nos interesses dos EUA e na causa da liberdade dos cubanos.
Obama prometeu apoiar totalmente a luta do governo colombiano contra as Farc:
- Apoiaremos decididamente o esforço do governo colombiano de livrar suas fronteiras do reino do terror. Vamos investigar apoios aos grupos paramilitares que venham de governos vizinhos. E vamos expor aqueles que apóiam organizações paramilitares ao isolamento, à condenação internacional e, se necessário, a fortes sanções.
Obama quer usar o comércio e os bancos internacionais para erradicar a pobreza da América Latina até 2015 e cumprir as "Metas do Milênio":
- Vamos mobilizar o Bird, a OEA e o BID para financiar investimentos e alavancar projetos que protejam os recursos naturais do continente, a fauna e a flora, sobretudo nas regiões de floresta tropical. Vamos negociar com nossos maiores aliados no hemisfério - Brasil, México, Argentina e Chile - para abrir oportunidades e erradicar o perigo de uma corrida nuclear.
O Globo
Camponeses atacam mais dois brasiguaios
Fazendeiros conseguem escapar ilesos de grupo de 50 paraguaios fortemente armados
SÃO PAULO. Incentivados pela decisão do presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, de expulsar os produtores rurais estrangeiros em situação ilegal naquele país, um grupo de cerca de 50 camponeses paraguaios atacou ontem dois fazendeiros brasileiros em terras paraguaias - os chamados brasiguaios - que estavam em suas propriedades, em Pirapey, a 150 quilômetros de Encarnación, capital do Departamento de Itapúa, no Paraguai, onde se concentra o foco de conflitos. Fortemente armados, os paraguaios atiraram contra Eugênio Fridich e Anselmo Kessler, fazendeiros gaúchos que vivem há duas décadas no país. Eles foram surpreendidos quando trabalhavam na lavoura de trigo. Na noite de quinta-feira, outro brasiguaio, Rogério Viltes, também conseguiu escapar de um ataque.
Camponeses estavam armados com rifles
Depois de disparar vários tiros contra os dois - que conseguiram fugir sem que fossem atingidos -, os sem- terra paraguaios destruíram o caminhão e o trator usados no plantio. Os camponeses chegaram a arrancar as rodas do caminhão, segundo autoridades policiais. Os ataques atingiram também policiais do Grupo de Operações Especiais, chamados para mediar o conflito naquela região.
- Eles ficam de tocaia esperando a gente chegar nas lavouras e atacam em bando - disse ontem um fazendeiro brasileiro que mora em Tomás Romero Pereira, no distrito de Itapúa.
O clima de tensão na região tem feito com que os fazendeiros brasileiros contratem milícias para proteger as suas propriedades na área de fronteira ameaçada pelos camponeses paraguaios. Como o GLOBO revelou anteontem, donos de terras estão pagando até R$40 por 12 horas de trabalho para seguranças particulares. Na propriedade de Eugênio Fridich, os policiais encontraram ontem, logo após os ataques, vários projéteis nos assentos do caminhão.
A área onde fica a lavoura é, na verdade, de propriedade da empresa paraguaia Pezeta S/A e arrendada ao fazendeiro brasileiro, onde ele planta trigo, milho e soja. Os ataques foram organizados pelos camponeses do assentamento 1º de Março.
- Eles utilizaram rifles, escopetas, revólveres e pistolas de distintos calibres. Os que não tinham arma de fogo, tinham machados e foices - disse ontem o suboficial da polícia paraguaia, Remigo Benítez.
A relação entre paraguaios e produtores rurais brasileiros ficou ainda mais estremecida depois que o presidente Nicanor Duarte anunciou nesta semana que colocará em prática a Lei de Faixa de Segurança, aprovada há dois anos. A partir dela, os produtores rurais estrangeiros que estão em situação ilegal naquele país serão expulsos.
A decisão reforçou o sentimento nacionalista que dominou a campanha presidencial nos últimos meses. Na época, os adversários do presidente eleito, Fernando Lugo, usavam como plataforma política a tese de que, se eleito, Lugo retiraria as terras dos brasileiros. Antes e depois de vencer as eleições, Lugo sempre negou tal intenção.
O Globo
Um defensor da ética na política
BRASÍLIA e MANAUS. Com pouco mais de um metro e meio de altura, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) tornava-se um gigante ao defender a ética na política. Nos últimos tempos, porém, já não disfarçava o desencanto com os rumos do corporativismo no Congresso e chegou a anunciar, da tribuna, a disposição de não se candidatar mais quando terminasse, em 2010, seu mandato - o segundo que exercia como senador. Péres morreu na manhã de ontem de infarto, aos 76 anos, em sua casa em Manaus. O corpo de Péres está sendo velado no Centro Cultural Palácio Rio Negro, no centro da capital do Amazonas. O enterro está marcado para as 16h em Manaus (17h em Brasília), no Cemitério São João Batista.
Durante a sua vida legislativa, Péres foi uma pedra no sapato de todos os parlamentares que enfrentaram problemas de decoro. Relatou, por exemplo, o processo de cassação do então senador Luiz Estêvão, o primeiro a ser aprovado na história da Casa, em 2000. Chegou a disputar a presidência do Senado contra o então poderoso Jáder Barbalho (PMDB-PA), que venceu a eleição, mas logo foi obrigado a renunciar ao mandato diante de denúncias de corrupção. No ano passado, durante os dois processos enfrentados pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofreu ameaças veladas de retaliação por ter sido um dos primeiros senadores a defender publicamente o afastamento do colega do comando da Casa. Mas a cruzada de Péres pela moralidade nem sempre foi bem vista por seus colegas. Alguns adversários chegaram a chamá-lo de "falso vestal".
Mesmo desiludido, Péres não hesitou em cobrar satisfação de dois companheiros de partido: o atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em razão de denúncias de que estaria usando a pasta para favorecer aliados do PDT e da Força Sindical, e o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho, sob suspeita de envolvimento no desvio de verbas do BNDES. Foi voz isolada ao pedir que a cúpula do PDT tomasse uma posição e chegou a sugerir o afastamento de Paulinho até a conclusão da investigação.
A notícia da morte deixou consternados políticos de todos os partidos e até mesmo desafetos. Lupi divulgou nota referindo-se a Péres como "homem de uma envergadura moral ética singular, que sempre se destacou na defesa intransigente do Brasil". Lembrou, ainda, que no Congresso Péres "travou batalhas inesquecíveis, colocando sempre em primeiro plano seu amor e sua ferrenha defesa aos princípios básicos da ética política".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também divulgou nota solidarizando-se com a família Péres e destacando sua trajetória política na "defesa intransigente da democracia e da ética". Para Lula, Péres "sempre procurou guiar-se pelo que julgava ser o interesse público, mesmo nos momentos de divergências com o governo".
- Era um homem correto, extremamente correto e dedicado às causas de interesse do Brasil - disse o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), lembrou, num discurso emocionado, o apoio de Péres à luta pela recuperação da credibilidade do Legislativo.
- Ninguém como ele superou a defesa da democracia em seus pronunciamentos. Ele esteve sempre voltado para a defesa do Senado, das prerrogativas da Casa. Ele era um dos primeiros senadores que se levantavam na defesa deste Senado.
O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), decretou luto oficial por três dias no estado. Para ele, Péres foi um marco na ética da política nacional.
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lamentou em nota assinada por seu presidente, Mozart Valadares Pires: "Símbolo da independência política, Péres lutou pela democracia durante todo a sua carreira com uma postura ética irrepreensível que serve de exemplo para gerações atuais e futuras".
- Foi um homem público devotado às causas que abraçou, tanto em sua proeminente vida parlamentar como na sua vida de advogado. Deu ao Senado, ao Amazonas e ao Brasil o melhor de seu intelecto. Será uma sentida ausência em nosso plenário. Estou triste - disse o senador José Sarney (PMDB-AP).
De Budapeste, o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), de quem Péres foi vice na chapa que disputou a Presidência da República em 2006, escreveu em nota: "Com o seu falecimento, morre também a moral da política brasileira".
- Ele era a consciência crítica de todos nós - resumiu o senador Pedro Simon (PMDB-RS).
A ex-senadora do PSOL Heloísa Helena foi a primeira a chegar ao velório. Ela estava em Brasília e voltava para Alagoas. No aeroporto soube da morte do amigo e decidiu mudar o roteiro.
Um dos últimos políticos a conversar com Péres, na viagem de Brasília a Manaus na tarde de quinta-feira, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) contou que o encontro durou 40 minutos:
- Ele parecia e estava absolutamente bem.
Para Virgílio, Péres foi um dos melhores senadores que o Amazonas deu ao Brasil:
- Ele tinha um senso de justiça extraordinário, um homem com profundo conhecimento da política.
De acordo com a assessoria do senador, nos últimos três meses ele apresentou um leve quadro de hipertensão, mas nada que chegasse a preocupar seus médicos nem a si mesmo. O senador nunca precisou se submeter a qualquer cirurgia.
Jefferson Péres deixa Marlídice, com quem estava casado há 40 anos, e três filhos: Ronald, de 39 anos, advogado e procurador do Amazonas; Roger, de 34, administrador de empresas; e Rômulo, de 32, também advogado e procurador.
Péres será substituído por seu primeiro suplente, o também pedetista Jeferson Praia - que atualmente é secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Manaus.
O Globo
Brasil diz que situação não é grave
Marco Aurélio Garcia minimiza crise envolvendo brasileiros no Paraguai
BRASÍLIA. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, minimizou ontem a situação envolvendo fazendeiros brasileiros que moram em locais na fronteira do Paraguai. Apesar do aumento da tensão na região, Marco Aurélio disse que o assunto não foi tratado na reunião de presidentes para a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual participaram o atual presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, e o presidente eleito daquele país, Fernando Lugo.
Marco Aurélio disse que o assunto "não está na ordem do dia", mas afirmou que irá ao Paraguai em junho para analisar as demandas do país a partir de agora.
- Não consideramos que seja um problema de uma gravidade tal que exigisse uma medida imediata. Essas tensões não começaram hoje, é normal que venham à tona - disse Marco Aurélio, acrescentando, porém, que o Brasil está sempre atento.
Recrutamento de milícias pode criar mais problemas
Já o Itamaraty vem acompanhando a situação e acredita que a situação está sob controle. A posição é de que nenhum brasileiro será expulso do Paraguai e que as regras ficaram claras com o decreto que tratou das terras em faixas de fronteira. Brasileiros nessa situação só não vão poder vender ou repassar as terras para terceiros.
O problema é que os fazendeiros brasileiros estariam formando milícias para se proteger de eventuais expulsões e até de invasões de sem-terra paraguaios, o que poderá resultar em problemas com as autoridades paraguaias, já que as leis do país proíbem este tipo de prática.
O Globo
Milhares fogem de xenofobia na África do Sul
Estrangeiros são esfaqueados e incendiados. Direitistas ligados ao apartheid são acusados de fomentar ataques
JOANNESBURGO. Uma onda de xenofobia violenta contra imigrantes deixou pelo menos 42 mortos e 30 mil refugiados na África do Sul nas últimas duas semanas. Grupos direitistas ligados ao antigo regime do apartheid são apontados como mentores do movimento.
Milhares de africanos que migraram para a África do Sul em busca de uma vida melhor estão agora voltando para seus países, horrorizados com os ataques sanguinários que se espalharam pelas duas principais cidades do país, Joannesburgo e Cidade do Cabo, e suas redondezas.
Os imigrantes são acusados de trazer pobreza e desemprego a uma população frustrada com os lentos avanços econômico-sociais do país, 14 anos depois do fim do regime segregador. A alta do preço dos alimentos e a má distribuição de ajuda aos pobres contribuem para a situação. Lojas de estrangeiros estão sendo saqueadas e as vítimas, mortas a ferro e fogo.
Depois de 14 anos, Exército invade subúrbios
Uma mulher conta ter decidido voltar ao Zimbábue depois de ver uma gangue despejar gasolina num estrangeiro e jogá-lo dentro de sua loja, que fora incendiada momentos antes.
- Os berros ainda me assombram. Quando fecho os olhos para dormir eu ouço os gritos de socorro, mas ninguém o ajuda - diz ela. - Nunca vi tamanha barbárie.
Pela primeira vez desde o fim do regime segregador soldados do Exército tiveram que entrar nos subúrbios para estancar a violência.
A África do Sul tem quase cinco milhões de estrangeiros, ou 10% de sua população. A maior parte vem do Zimbábue (três milhões), Nigéria e Moçambique. Os ataques começaram há cerca de duas semanas em Alexandra, distrito de Joannesburgo, e se espalharam para dezenas de localidades do entorno da capital e da Cidade do Cabo.
O chefe da Agência de Segurança Nacional da África do Sul, Manala Manzini, acusou ontem direitistas ligados ao antigo regime do apartheid de espalhar a onda de ataques.
- Definitivamente há uma terceira mão envolvida. Existe um esforço deliberado, orquestrado e bem-planejado - disse. - Temos informação dando conta de que pessoas envolvidas na violência pré-eleitoral de 1994 (ano em que o apartheid terminou) são justamente as mesmas que restabeleceram contato com pessoas que elas usaram no passado.
Ônibus para o Zimbábue partem lotados
Antes, os ônibus com destino ao Zimbábue costumavam partir vazios. Poucos queriam voltar a um país com inflação de 160.000% e com as liberdades cerceadas pelo regime ditatorial de Robert Mugabe, que está no poder desde 1980 (o país está em meio a um processo eleitoral que pode tirá-lo do poder). Agora, saem cheios e os motoristas precisam deixar passageiros na rodoviária por falta de espaço.
- Vi três pessoas morrerem diante dos meus olhos. Um foi esquartejado, outro levou um tiro e o terceiro morreu a pauladas. Vou para casa. Pelo menos por um mês, até que as coisas se acalmem - diz Tinei Murimbechi, de 25 anos.
Segundo a ONU, há 125 mil pessoas registradas como refugiadas no país.
O Globo
Brasil pode se tornar um grande produtor, diz 'WSJ'
O jornal de finanças americano "Wall Street Journal" afirmou em sua edição de ontem que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira pela Petrobras, "aumenta as especulações" sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais do produto. O diário acrescenta que as reservas do país também ajudarão a "aliviar as pressões sobre os crescentes preços do petróleo".
Segundo a reportagem, "a descoberta é a última em uma série de ações bem-sucedidas da estatal brasileira, aumentando as esperanças de que o Brasil se torne a mais recente grande novidade no segmento global de petróleo".
O novo campo fica próximo ao de Tupi, descoberto há dois anos e que se mantém como o maior desde 2000. O "WSJ" afirma que, apesar do otimismo, alguns analistas se mostram céticos, devido às dificuldades de extração de petróleo em águas profundas.
O jornal lembra ainda que a descoberta será especialmente bem-vinda pelos EUA, que terão no Brasil uma fonte alternativa de abastecimento no hemisfério. Atualmente, o país importa petróleo no hemisfério sobretudo da Venezuela.
O Globo
STF: índios aculturados podem receber punição
Presidente do Supremo pede que pena seja estendida a quem ajudou caiapós a agredir engenheiro da Eletrobrás
BRASÍLIA e BELÉM. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou ontem que os índios acusados de agredir o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, um deles com golpe de facão, podem ser punidos, caso se comprove que são aculturados. Segundo o ministro, esse tem sido o entendimento de vários tribunais. Mendes considera importante estender a punição a quem teria, de alguma forma, estimulado a ação dos indígenas.
O ministro disse que não poderia falar sobre o caso específico. Mas deixou claro que índios podem ser punidos se a polícia e o Ministério Público provarem que eles entendem as regras básicas do convívio entre não-índios:
- Os tribunais têm tido várias provocações sobre a imputabilidade ou não de indígenas que se envolvem nesses fatos típicos. E a resposta tem sido, na maioria das vezes, positiva, entendendo que, especialmente no caso de índios aculturados, capazes de entender a língua portuguesa, que eles são plenamente responsáveis do ponto de vista penal.
Na terça-feira, um grupo de índios caiapós atacou o engenheiro durante um debate em Altamira, no Pará, sobre o impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte na região. Rezende foi agredido a socos e pontapés. Um dos índios desferiu um golpe de facão no engenheiro.
- É preciso que nós todos aprendamos a debater dentro de padrões civilizatórios mínimos. Discutir sem violentar. E se isso é estimulado, tanto pior. É preciso que se reprima também aquele que atiça, que estimula a prática atos de violência - disse Mendes.
Índios caiapós e de outras etnias que feriram Rezende ameaçaram ontem com novos conflitos caso o governo insista na construção de Belo Monte. Num abaixo-assinado intitulado "Documento dos Povos Indígenas da Bacia do Xingu", com mais de 300 assinaturas, entregue ao juiz federal substituto da Subseção de Altamira, Antonio Carlos Campelo, os índios advertem: "Ainda que haverá conflito entre o empreendedor e os povos indígenas caso os senhores não parem com essas obras. Aconteça o que acontecer, nós, povos indígenas, morreremos defendendo as nossas vidas, nossos patrimônios e nossas terras".
Os índios pediram ao juiz que envie o abaixo-assinado à Presidência da República.
Padre e coordenador do Cimi negam compra de facões
A Polícia Federal (PF), que investiga o caso, divulgou imagens do circuito interno de uma loja de materiais de construção em Altamira em que o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Xingu, José Cleanton Ribeiro, aparece comprando três facões em companhia de um índio, na véspera do ataque. Também aparece no vídeo o padre Andoni Ledesma, de Altamira.
O padre, coordenador da Pastoral de Comunicação da Prelazia do Xingu, e Ribeiro negaram, ontem, em depoimento ao delegado da PF Eduardo Jorge Ferreira que tenham adquirido os facões, chamados terçados, usados pelos índios na agressão ao engenheiro. O delegado não informou se houve indiciamentos, mas não descarta responsabilizar as entidades que organizaram o evento "Xingu Vivo para Sempre" pela agressão.
As 11 entidades à frente do seminário divulgaram ontem nota rejeitando a responsabilidade pelo incidente e afirmando que as declarações do delegado "revelam postura precipitada e equivocada, que destoa da realidade dos fatos".
A organização do evento esclareceu em nota que o Cimi, responsável pela infra-estrutura dos índios, comprou os facões a pedido dos caiapós porque as armas brancas são "acessórios imprescindíveis das suas indumentárias". "O atendimento ao pedido de liderança do povo caiapó, para a aquisição de três facões, que na cultura desse povo indígena caracterizam-se como instrumentos de trabalho e de defesa das índias, baseou-se no respeito à cultura e identidade desses povos", afirma a nota.
Também prestou depoimento Antônio Martins, dirigente do Movimento de Mulheres Trabalhadoras (MMT) de Altamira, que aparece nas filmagens. A nota fiscal da compra de cinco facões foi emitida em nome do MMT.
Dom Erwin Krautler, que comanda a Prelazia do Xingu, desafiou a PF a apresentar qualquer prova que relacione a entidade à compra dos facões. Em sua opinião, o ataque ao engenheiro foi um ato imprevisto:
- Foi a maneira decisiva de os índios se manifestarem acerca de uma questão vital para eles. Não se pode demonizar o incidente.
Ele disse ainda que o engenheiro, de certa forma, provocou os índios.
Para presidente, união regional mexerá com tabuleiro do mundo
BRASÍLIA. Ao abrir a solenidade de assinatura do tratado criando a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as instabilidades na região são um "sinal de vida" na América do Sul. Lula disse ainda que no continente "floresce a democracia". Sem se referir às turbulências nos países vizinhos, Lula destacou que todos os governantes da região foram eleitos em pleitos democráticos e com ampla participação popular.
- A instabilidade que alguns pretendem ver em nosso continente é sinal de vida, especialmente vida política. Não há democracia sem povo nas ruas, sem confronto de idéias e propostas. Mas há tampouco democracia sem regras e diálogo - disse o presidente.
Lula afirmou que a América do Sul, unida, "mexerá com o tabuleiro do mundo". Ele aproveitou para convidar os demais países da América Latina e do Caribe a entrarem para a Unasul.
- Nossos vizinhos latinos e caribenhos estão convidados a participar dessa união, que nasce também sob o signo da diversidade e do pluralismo - afirmou.
Lula critica protecionismo de países desenvolvidos .O presidente destacou que a região passa por uma excepcional fase de crescimento econômico e, não por acaso, tornou-se um dos principais pontos de investimentos do mundo.
- Estamos superando a inércia e as resistências que, ao longo de 200 anos de vida política independente, impediram que trilhássemos juntos o caminho da unidade. Tiraremos proveito da vastidão de nosso território, banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico e pelo Mar do Caribe. Valorizaremos a diversidade de nossos povos e de nossas culturas.
Lula voltou a criticar o protecionismo praticado pelos países desenvolvidos. Disse que o crescimento da indústria e da agricultura e o grande potencial energético na região incomodam.
- Não nos deixemos iludir pelos argumentos daqueles que, por interesses protecionistas ou motivações geopolíticas, sentem-se incomodados com nosso crescimento - destacou.
Já ciente de que não seria criado ontem o Conselho Sul-Americano de Defesa, Lula defendeu, mesmo assim, o novo foro, que será instituído dentro de 90 dias. Citando como exemplo a Minustah (força militar da ONU voltada à reconstrução e pacificação do Haiti), o presidente afirmou que as Forças Armadas brasileiras estão comprometidas com a construção da paz. Ele propôs uma nova reunião no segundo semestre, no Brasil, para que sejam detalhados os objetivos e o funcionamento do conselho.
- Devemos articular uma visão de defesa na região fundada em valores e princípios comuns, como o respeito à soberania, à autodeterminação, à integridade territorial dos Estados e à não-intervenção em assuntos internos.
Ele ressaltou que todas as decisões a serem tomadas pela Unasul terão de ser por consenso. Segundo Lula, pretende-se avançar rapidamente com projetos inovadores e de grande alcance em áreas prioritárias, como integração financeira e energética; melhora da infra-estrutura regional e das conexões rodoviárias e ferroviárias; estabelecimento de uma vigorosa agenda de cooperação em políticas sociais; e fortalecimento da cooperação educacional.
Lula destacou ainda a necessidade de trocas comerciais "justas e equilibradas", para que sejam corrigidas as assimetrias entre os países da região.
- Vamos desenvolver parcerias em setores estratégicos, como indústria aeronáutica, medicamentos e equipamentos militares - disse.
O Globo
Cúpula Sul-Americana- União enfraquecida
Lula não consegue aprovar a criação do Conselho de Defesa para região
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escapou ontem de uma desmoralização na reunião de chefes de Estado da América do Sul. Ele não conseguiu emplacar seu projeto de implementação de um Conselho Sul-Americano de Defesa e, por pouco, o tratado que cria a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) não foi assinado, devido à resistência do presidente do Equador, Rafael Correa, que considerou a estrutura da nova instituição excessivamente burocrática. Correa só mudou de idéia após obter garantia de que o documento será ajustado para dar mais agilidade ao processo de integração.
Para convencer Correa de que, sem a sua assinatura, o encontro se transformaria em um fiasco, Lula foi cedo ao hotel onde ele estava hospedado. Tomou café da manhã com Correa, o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales. Segundo fontes ligadas ao Palácio do Planalto, foi uma reunião tensa, que só foi solucionada com a intervenção direta de Chávez.
- O Equador assumiu a posição de assinar o tratado, com o compromisso de melhoramos o documento, que passará a ter uma estrutura mais ligeira. Com a grande quantidade de conselhos e a burocracia, não há como funcionar a integração - disse Correa ao GLOBO, momentos antes de embarcar para Quito.
Conselho de Defesa adiado por 90 dias
Quanto ao Conselho Sul-Americano de Defesa, a proposta foi adiada por 90 dias, devido à oposição da Colômbia. Protagonista da derrubada do novo foro - que, se dependesse do governo brasileiro, seria assinado mesmo sem a adesão dos colombianos - o presidente Álvaro Uribe deixou ontem claro que a idéia não sairá do papel enquanto persistir a simpatia e a interlocução de outros países da região com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Uribe voltou a exigir que o grupo seja classificado de "terrorista".
Esse posicionamento foi discutido por Uribe com Lula a portas fechadas. A mensagem foi que o Conselho de Defesa só poderá existir com garantias de que grupos terroristas não ameacem os países da região. O Brasil, porém, é contra classificar as Farc de terroristas, sob o argumento de que a definição deve partir das Nações Unidas. Na prática, isso significa que o projeto é natimorto, diante da falta de perspectiva de consenso nessa área.
- Não aceitamos integrar o Conselho, porque temos um problema de terrorismo muito grave, que gerou dificuldades políticas com países vizinhos de povos irmãos. O Conselho precisa oferecer garantias de que grupos terroristas não possam ofender a nenhum país - disse Uribe.
E acrescentou:
- O continente deve se atrever a qualificar como terroristas todos os grupos violentos que atentam contra a democracia.
Mas o passo mais importante que levou ao recuo em relação ao Conselho foi dado pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, logo na abertura do encontro. Ela propôs o adiamento por três meses e, ainda, a criação de um grupo de trabalho cujo objetivo é analisar melhor o tema, detalhar a proposta e consolidar sugestões encaminhadas pelas nações sul-americanas.
- Propus a criação de um grupo de trabalho para que, em 90 dias, seja revisada a proposta do presidente Lula tendo em vista as preocupações que tenham cada país em relação ao tema - explicou Bachelet.
Lula não admite fracasso da reunião
Para Lula, mesmo sem o Conselho de Defesa, não houve fracasso no encontro de ontem, tendo em vista que os 12 países concordaram com a criação da Unasul - que era o principal foco da reunião, convocada extraordinariamente para esse fim:
- Aquilo que parecia impossível aconteceu aos olhos dos descrentes. A América do Sul está mais integrada do que nunca, porque acabamos de aprovar por unanimidade o tratado da Unasul.
Sobre o Conselho de Defesa, Lula lembrou que está há seis anos no poder e que as decisões que envolvem mais de um país são amplamente discutidas antes de se concretizarem.
O Globo
Ligações perigosas com as Farc
Congressistas e estrangeiros são acusados de auxiliar guerrilha. Uribe troca farpas com Correa
Numa nova frente da crise política que envolve a Colômbia, o procurador-geral do país, Mario Iguarán, revelou ontem que foram encontrados indícios de envolvimento de congressistas de Colômbia, Equador e Venezuela, jornalistas e integrantes de ONGs com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Entre os acusados está a senadora Piedad Córdoba, que participou de negociações que libertaram reféns da guerrilha. O escândalo já é chamado na Colômbia de farcpolítica, numa alusão à parapolítica, que envolve aliados do governo e grupos paramilitares.
Fontes da polícia colombiana revelaram a jornais locais que a denúncia contra Piedad Córdoba indicaria que suas comunicações com as Farc foram muito além de gestões para a libertação de reféns. Ela teria trocado pelo menos 900 e-mails com as Farc. Dezenas, feitos com o pseudônimo Teodora de Bolívar, teriam sido trocados diretamente entre a senadora e o guerrilheiro Raúl Reyes. Ontem, 56 deles foram enviados a um tribunal para a abertura de investigação.
A senadora defendeu-se afirmando que o governo pretende jogar uma "cortina de fumaça" para desviar a atenção do escândalo da parapolítica, que já levou 40 parlamentares da base governista à prisão:
- Sou uma perseguida política. Estão fazendo de tudo para mostrar que estamos em pé de igualdade. Falaram com guerrilheiros desmobilizados para convencê-los a declarar que me viram em acampamentos da guerrilha.
O anúncio da investigação ocorreu enquanto os presidentes dos três países estavam em Brasília, na criação do Unasul. Não houve o confronto que alguns temiam, mas Álvaro Uribe (Colômbia) e Rafael Correa (Equador) passaram o dia se alfinetando. Enquanto o colombiano fortalecia o discurso de que as Farc são um grupo terrorista e deve ser combatido como ameaça à democracia na região, o equatoriano rebatia que a campanha "midiática" e do vizinho deixou as relações bilaterais em estado "crítico".
Uribe começou a manhã declarando que iria desmanchar uma "armadilha" das Farc, que estaria mascarada como uma ação humanitária: o pedido de desmilitarização da região de Florida. Segundo ele, a proposta iria abrir corredores de "relativa curta distância" entre pontos estratégicos, inclusive com saída ao Pacífico.
- Vamos mostrar que por trás de um aparente espírito humanitário está a vontade de reconquistar Caguán. Nós, colombianos, não vamos cair na enganação, na armadilha, que as Farc estão tentando "vender" - disse Uribe.
Não tardou muito e assessores de Correa improvisaram uma entrevista logo após o encontro principal da cúpula. Nela, o presidente ironizou a investigação de equatorianos na Colômbia:
- Que ousadia investigar equatorianos. Sugiro que também investiguem a narcopolítica e os paramilitares que invadem a Colômbia.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que as acusações de envolvimento do seu governo com as Farc são mentirosas:
- Isso foi um show de um agente da Interpol que já trabalhou no governo dos EUA. Ele violou as regras da Interpol, faz parte da estratégia imperialista. Fontes da Interpol dizem que não é possível garantir a origem da informação.
Ontem, o procurador-geral Iguarán solicitou que a Corte Suprema de Justiça investigue os congressistas, que têm foro privilegiado: além de Piedad, a senadora Gloria Inés Ramírez e o deputado Wilson Borja. Ele pediu também que o tribunal averigue os casos da deputada equatoriana María Augusta Calle, que foi diretora da Telesur em seu país; o também equatoriano Iván Larrea, irmão do ministro da Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea; o venezuelano Amílcar Figueroa, deputado do Parlamento Latino; o antropólogo americano James Jones; e a funcionária de ONG de direitos humanos Liliana Obando. Além destes, também serão investigados os jornalistas colombianos William Parra, da Telesur; Carlos Lozano, da revista "Voz"; o ex-candidato presidencial Álvaro Levya Durán; e o colunista Lázaro Viveros.
Grande parte da denúncia se baseia em informações dos computadores que Bogotá diz ter recuperado no acampamento onde foi morto o número dois das Farc, Raúl Reyes, no Equador.
- Em princípio, (a investigação será feita) pelo que foi encontrado nos computadores, correios (eletrônicos) por exemplo. Há referências que poderiam indicar algo que vai muito além de gestões com intenção de conseguir a paz - disse o procurador-geral.
Constituinte do Equador repudia investigação
O deputado Borja e a senadora Gloria Inés teriam trocado dezenas de e-mails com as Farc. Segundo fontes da investigação, o material indica que eles excederam sua condição política, parecendo assessorar a guerrilha.
Sobre os estrangeiros, Iguarán afirmou que seria possível processá-los na Colômbia por serem acusados de crimes como atentado à segurança nacional, e financiamento do terrorismo. A deputada equatoriana acusada, María Calle, liderou a votação de uma resolução ontem na Assembléia Constituinte, pedindo que o povo do país se mobilize contra "atitudes guerreiras" de Uribe.
Já Iván Larrea, irmão do ministro da Segurança equatoriano, acusou o governo Uribe de tentar prejudicar a relação entre os dois países.
- Isso está sendo feito para gerar uma caça às bruxas e provocar uma escalada do conflito entre os dois países - disse Iván Larrea.
O venezuelano Figueroa concordou:
- Uribe busca meter a Venezuela no conflito interno colombiano.
Jornalistas e funcionários de ONGs envolvidos confirmaram os e-mails com as Farc, mas seu objetivo seria de trabalho ou para ajudar na libertação de reféns.
O Globo
Obama quer nova aliança com América Latina
Em seu discurso mais enfático sobre o continente, senador critica Brasil mas aponta país como exemplo a seguir
NOVA YORK. O senador Barack Obama fez ontem o mais importante pronunciamento sobre sua política para a América Latina, em Miami, e o Brasil foi mencionado como "exemplo a ser seguido no continente". Obama propôs uma nova "aliança para o desenvolvimento" no continente e inverteu o velho ditado que diz que "tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para as Américas".
- Minha política para as Américas será orientada pelo princípio simples de que o que é bom para os povos das Américas é bom para os EUA - disse, citando em seguida como exemplo as favelas do Rio: - Isto significa que a medida do sucesso não será apenas a dos acordos entre governos, mas também dar esperança às crianças das favelas do Rio, segurança aos policiais da Cidade do México e respostas aos apelos dos prisioneiros políticos de Havana.
Críticas à produção de etanol e ao desmatamento
Na sua proposta de nova "aliança para o desenvolvimento"para o continente, Obama diz que o Brasil tem o maior potencial de produção de energia renovável da América Latina e também alguns dos desafios para enfrentar a degradação do meio ambiente. Ele acrescentou, porém, que a liderança brasileira na produção de etanol e o desenvolvimento do país não foram alcançados sem prejuízos para o meio-ambiente:
- A Floresta Amazônica, uma região de importância fundamental e estratégica para o combate ao aquecimento global, já perdeu 20% de sua mata para dar lugar a fazendas de soja, e ambientalistas do mundo inteiro alertam que o cultivo da cana pode causar ainda mais desmatamento.
Para ele, a solução é formar uma nova parceria entre EUA e Brasil, a fim de aumentar a produtividade:
- Farei um apelo ao povo americano para formar um time de engenheiros e cientistas para desenvolver soluções energéticas limpas em vários países. Este é o único papel importante que os EUA podem desempenhar. Podemos oferecer mais do que a tirania do petróleo. Podemos aprender com o progresso feito por um país como o Brasil e fazer das Américas um modelo para o mundo. Nós podemos oferecer liderança que sirva à prosperidade e à segurança comum para todo o continente.
O senador pretende engajar-se num esforço diplomático para promover a democracia e os valores americanos, imediatamente fornecer permissões de viagens e de remessas de dinheiro, mercadorias e de medicamentos para Cuba, criar uma parceria energética visando ao desenvolvimento sustentável, lançar um programa de combate à criminalidade e ao tráfico de drogas no continente e ter um assessor especial para a America Latina em seu Ministério.
Senador chama Chávez de demagogo e autoritário
Obama chamou Hugo Chávez de "demagogo" que faz uma "perigosa mistura de retórica antiamericana com governo autoritário", e acrescentou que o presidente da Venezuela "e seus aliados não são os únicos preenchendo o vazio" deixado pelos EUA na América Latina. Ele citou a aproximação do Irã com a Venezuela e o "banco binacional financiado pelo petróleo".
O senador acrescentou que sua política para Cuba será orientada por uma palavra, dita em espanhol: "libertad". E disse que, se o regime cubano "libertar todos os presos políticos e der passos na direção da democracia", está disposto a normalizar relações diplomáticas e encontrar-se com Raúl Castro:
- John McCain diz que eu quero me encontrar com Raúl Castro como se eu estivesse em busca de um encontro social. Minha diplomacia será orientada por uma palavra, libertad, e quero ter este encontro apenas se houver chance de avançar nos interesses dos EUA e na causa da liberdade dos cubanos.
Obama prometeu apoiar totalmente a luta do governo colombiano contra as Farc:
- Apoiaremos decididamente o esforço do governo colombiano de livrar suas fronteiras do reino do terror. Vamos investigar apoios aos grupos paramilitares que venham de governos vizinhos. E vamos expor aqueles que apóiam organizações paramilitares ao isolamento, à condenação internacional e, se necessário, a fortes sanções.
Obama quer usar o comércio e os bancos internacionais para erradicar a pobreza da América Latina até 2015 e cumprir as "Metas do Milênio":
- Vamos mobilizar o Bird, a OEA e o BID para financiar investimentos e alavancar projetos que protejam os recursos naturais do continente, a fauna e a flora, sobretudo nas regiões de floresta tropical. Vamos negociar com nossos maiores aliados no hemisfério - Brasil, México, Argentina e Chile - para abrir oportunidades e erradicar o perigo de uma corrida nuclear.
O Globo
Camponeses atacam mais dois brasiguaios
Fazendeiros conseguem escapar ilesos de grupo de 50 paraguaios fortemente armados
SÃO PAULO. Incentivados pela decisão do presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, de expulsar os produtores rurais estrangeiros em situação ilegal naquele país, um grupo de cerca de 50 camponeses paraguaios atacou ontem dois fazendeiros brasileiros em terras paraguaias - os chamados brasiguaios - que estavam em suas propriedades, em Pirapey, a 150 quilômetros de Encarnación, capital do Departamento de Itapúa, no Paraguai, onde se concentra o foco de conflitos. Fortemente armados, os paraguaios atiraram contra Eugênio Fridich e Anselmo Kessler, fazendeiros gaúchos que vivem há duas décadas no país. Eles foram surpreendidos quando trabalhavam na lavoura de trigo. Na noite de quinta-feira, outro brasiguaio, Rogério Viltes, também conseguiu escapar de um ataque.
Camponeses estavam armados com rifles
Depois de disparar vários tiros contra os dois - que conseguiram fugir sem que fossem atingidos -, os sem- terra paraguaios destruíram o caminhão e o trator usados no plantio. Os camponeses chegaram a arrancar as rodas do caminhão, segundo autoridades policiais. Os ataques atingiram também policiais do Grupo de Operações Especiais, chamados para mediar o conflito naquela região.
- Eles ficam de tocaia esperando a gente chegar nas lavouras e atacam em bando - disse ontem um fazendeiro brasileiro que mora em Tomás Romero Pereira, no distrito de Itapúa.
O clima de tensão na região tem feito com que os fazendeiros brasileiros contratem milícias para proteger as suas propriedades na área de fronteira ameaçada pelos camponeses paraguaios. Como o GLOBO revelou anteontem, donos de terras estão pagando até R$40 por 12 horas de trabalho para seguranças particulares. Na propriedade de Eugênio Fridich, os policiais encontraram ontem, logo após os ataques, vários projéteis nos assentos do caminhão.
A área onde fica a lavoura é, na verdade, de propriedade da empresa paraguaia Pezeta S/A e arrendada ao fazendeiro brasileiro, onde ele planta trigo, milho e soja. Os ataques foram organizados pelos camponeses do assentamento 1º de Março.
- Eles utilizaram rifles, escopetas, revólveres e pistolas de distintos calibres. Os que não tinham arma de fogo, tinham machados e foices - disse ontem o suboficial da polícia paraguaia, Remigo Benítez.
A relação entre paraguaios e produtores rurais brasileiros ficou ainda mais estremecida depois que o presidente Nicanor Duarte anunciou nesta semana que colocará em prática a Lei de Faixa de Segurança, aprovada há dois anos. A partir dela, os produtores rurais estrangeiros que estão em situação ilegal naquele país serão expulsos.
A decisão reforçou o sentimento nacionalista que dominou a campanha presidencial nos últimos meses. Na época, os adversários do presidente eleito, Fernando Lugo, usavam como plataforma política a tese de que, se eleito, Lugo retiraria as terras dos brasileiros. Antes e depois de vencer as eleições, Lugo sempre negou tal intenção.
O Globo
Um defensor da ética na política
BRASÍLIA e MANAUS. Com pouco mais de um metro e meio de altura, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) tornava-se um gigante ao defender a ética na política. Nos últimos tempos, porém, já não disfarçava o desencanto com os rumos do corporativismo no Congresso e chegou a anunciar, da tribuna, a disposição de não se candidatar mais quando terminasse, em 2010, seu mandato - o segundo que exercia como senador. Péres morreu na manhã de ontem de infarto, aos 76 anos, em sua casa em Manaus. O corpo de Péres está sendo velado no Centro Cultural Palácio Rio Negro, no centro da capital do Amazonas. O enterro está marcado para as 16h em Manaus (17h em Brasília), no Cemitério São João Batista.
Durante a sua vida legislativa, Péres foi uma pedra no sapato de todos os parlamentares que enfrentaram problemas de decoro. Relatou, por exemplo, o processo de cassação do então senador Luiz Estêvão, o primeiro a ser aprovado na história da Casa, em 2000. Chegou a disputar a presidência do Senado contra o então poderoso Jáder Barbalho (PMDB-PA), que venceu a eleição, mas logo foi obrigado a renunciar ao mandato diante de denúncias de corrupção. No ano passado, durante os dois processos enfrentados pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofreu ameaças veladas de retaliação por ter sido um dos primeiros senadores a defender publicamente o afastamento do colega do comando da Casa. Mas a cruzada de Péres pela moralidade nem sempre foi bem vista por seus colegas. Alguns adversários chegaram a chamá-lo de "falso vestal".
Mesmo desiludido, Péres não hesitou em cobrar satisfação de dois companheiros de partido: o atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em razão de denúncias de que estaria usando a pasta para favorecer aliados do PDT e da Força Sindical, e o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho, sob suspeita de envolvimento no desvio de verbas do BNDES. Foi voz isolada ao pedir que a cúpula do PDT tomasse uma posição e chegou a sugerir o afastamento de Paulinho até a conclusão da investigação.
A notícia da morte deixou consternados políticos de todos os partidos e até mesmo desafetos. Lupi divulgou nota referindo-se a Péres como "homem de uma envergadura moral ética singular, que sempre se destacou na defesa intransigente do Brasil". Lembrou, ainda, que no Congresso Péres "travou batalhas inesquecíveis, colocando sempre em primeiro plano seu amor e sua ferrenha defesa aos princípios básicos da ética política".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também divulgou nota solidarizando-se com a família Péres e destacando sua trajetória política na "defesa intransigente da democracia e da ética". Para Lula, Péres "sempre procurou guiar-se pelo que julgava ser o interesse público, mesmo nos momentos de divergências com o governo".
- Era um homem correto, extremamente correto e dedicado às causas de interesse do Brasil - disse o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), lembrou, num discurso emocionado, o apoio de Péres à luta pela recuperação da credibilidade do Legislativo.
- Ninguém como ele superou a defesa da democracia em seus pronunciamentos. Ele esteve sempre voltado para a defesa do Senado, das prerrogativas da Casa. Ele era um dos primeiros senadores que se levantavam na defesa deste Senado.
O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), decretou luto oficial por três dias no estado. Para ele, Péres foi um marco na ética da política nacional.
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lamentou em nota assinada por seu presidente, Mozart Valadares Pires: "Símbolo da independência política, Péres lutou pela democracia durante todo a sua carreira com uma postura ética irrepreensível que serve de exemplo para gerações atuais e futuras".
- Foi um homem público devotado às causas que abraçou, tanto em sua proeminente vida parlamentar como na sua vida de advogado. Deu ao Senado, ao Amazonas e ao Brasil o melhor de seu intelecto. Será uma sentida ausência em nosso plenário. Estou triste - disse o senador José Sarney (PMDB-AP).
De Budapeste, o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), de quem Péres foi vice na chapa que disputou a Presidência da República em 2006, escreveu em nota: "Com o seu falecimento, morre também a moral da política brasileira".
- Ele era a consciência crítica de todos nós - resumiu o senador Pedro Simon (PMDB-RS).
A ex-senadora do PSOL Heloísa Helena foi a primeira a chegar ao velório. Ela estava em Brasília e voltava para Alagoas. No aeroporto soube da morte do amigo e decidiu mudar o roteiro.
Um dos últimos políticos a conversar com Péres, na viagem de Brasília a Manaus na tarde de quinta-feira, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) contou que o encontro durou 40 minutos:
- Ele parecia e estava absolutamente bem.
Para Virgílio, Péres foi um dos melhores senadores que o Amazonas deu ao Brasil:
- Ele tinha um senso de justiça extraordinário, um homem com profundo conhecimento da política.
De acordo com a assessoria do senador, nos últimos três meses ele apresentou um leve quadro de hipertensão, mas nada que chegasse a preocupar seus médicos nem a si mesmo. O senador nunca precisou se submeter a qualquer cirurgia.
Jefferson Péres deixa Marlídice, com quem estava casado há 40 anos, e três filhos: Ronald, de 39 anos, advogado e procurador do Amazonas; Roger, de 34, administrador de empresas; e Rômulo, de 32, também advogado e procurador.
Péres será substituído por seu primeiro suplente, o também pedetista Jeferson Praia - que atualmente é secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Manaus.
O Globo
Brasil diz que situação não é grave
Marco Aurélio Garcia minimiza crise envolvendo brasileiros no Paraguai
BRASÍLIA. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, minimizou ontem a situação envolvendo fazendeiros brasileiros que moram em locais na fronteira do Paraguai. Apesar do aumento da tensão na região, Marco Aurélio disse que o assunto não foi tratado na reunião de presidentes para a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual participaram o atual presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, e o presidente eleito daquele país, Fernando Lugo.
Marco Aurélio disse que o assunto "não está na ordem do dia", mas afirmou que irá ao Paraguai em junho para analisar as demandas do país a partir de agora.
- Não consideramos que seja um problema de uma gravidade tal que exigisse uma medida imediata. Essas tensões não começaram hoje, é normal que venham à tona - disse Marco Aurélio, acrescentando, porém, que o Brasil está sempre atento.
Recrutamento de milícias pode criar mais problemas
Já o Itamaraty vem acompanhando a situação e acredita que a situação está sob controle. A posição é de que nenhum brasileiro será expulso do Paraguai e que as regras ficaram claras com o decreto que tratou das terras em faixas de fronteira. Brasileiros nessa situação só não vão poder vender ou repassar as terras para terceiros.
O problema é que os fazendeiros brasileiros estariam formando milícias para se proteger de eventuais expulsões e até de invasões de sem-terra paraguaios, o que poderá resultar em problemas com as autoridades paraguaias, já que as leis do país proíbem este tipo de prática.
O Globo
Milhares fogem de xenofobia na África do Sul
Estrangeiros são esfaqueados e incendiados. Direitistas ligados ao apartheid são acusados de fomentar ataques
JOANNESBURGO. Uma onda de xenofobia violenta contra imigrantes deixou pelo menos 42 mortos e 30 mil refugiados na África do Sul nas últimas duas semanas. Grupos direitistas ligados ao antigo regime do apartheid são apontados como mentores do movimento.
Milhares de africanos que migraram para a África do Sul em busca de uma vida melhor estão agora voltando para seus países, horrorizados com os ataques sanguinários que se espalharam pelas duas principais cidades do país, Joannesburgo e Cidade do Cabo, e suas redondezas.
Os imigrantes são acusados de trazer pobreza e desemprego a uma população frustrada com os lentos avanços econômico-sociais do país, 14 anos depois do fim do regime segregador. A alta do preço dos alimentos e a má distribuição de ajuda aos pobres contribuem para a situação. Lojas de estrangeiros estão sendo saqueadas e as vítimas, mortas a ferro e fogo.
Depois de 14 anos, Exército invade subúrbios
Uma mulher conta ter decidido voltar ao Zimbábue depois de ver uma gangue despejar gasolina num estrangeiro e jogá-lo dentro de sua loja, que fora incendiada momentos antes.
- Os berros ainda me assombram. Quando fecho os olhos para dormir eu ouço os gritos de socorro, mas ninguém o ajuda - diz ela. - Nunca vi tamanha barbárie.
Pela primeira vez desde o fim do regime segregador soldados do Exército tiveram que entrar nos subúrbios para estancar a violência.
A África do Sul tem quase cinco milhões de estrangeiros, ou 10% de sua população. A maior parte vem do Zimbábue (três milhões), Nigéria e Moçambique. Os ataques começaram há cerca de duas semanas em Alexandra, distrito de Joannesburgo, e se espalharam para dezenas de localidades do entorno da capital e da Cidade do Cabo.
O chefe da Agência de Segurança Nacional da África do Sul, Manala Manzini, acusou ontem direitistas ligados ao antigo regime do apartheid de espalhar a onda de ataques.
- Definitivamente há uma terceira mão envolvida. Existe um esforço deliberado, orquestrado e bem-planejado - disse. - Temos informação dando conta de que pessoas envolvidas na violência pré-eleitoral de 1994 (ano em que o apartheid terminou) são justamente as mesmas que restabeleceram contato com pessoas que elas usaram no passado.
Ônibus para o Zimbábue partem lotados
Antes, os ônibus com destino ao Zimbábue costumavam partir vazios. Poucos queriam voltar a um país com inflação de 160.000% e com as liberdades cerceadas pelo regime ditatorial de Robert Mugabe, que está no poder desde 1980 (o país está em meio a um processo eleitoral que pode tirá-lo do poder). Agora, saem cheios e os motoristas precisam deixar passageiros na rodoviária por falta de espaço.
- Vi três pessoas morrerem diante dos meus olhos. Um foi esquartejado, outro levou um tiro e o terceiro morreu a pauladas. Vou para casa. Pelo menos por um mês, até que as coisas se acalmem - diz Tinei Murimbechi, de 25 anos.
Segundo a ONU, há 125 mil pessoas registradas como refugiadas no país.
O Globo
Brasil pode se tornar um grande produtor, diz 'WSJ'
O jornal de finanças americano "Wall Street Journal" afirmou em sua edição de ontem que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira pela Petrobras, "aumenta as especulações" sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais do produto. O diário acrescenta que as reservas do país também ajudarão a "aliviar as pressões sobre os crescentes preços do petróleo".
Segundo a reportagem, "a descoberta é a última em uma série de ações bem-sucedidas da estatal brasileira, aumentando as esperanças de que o Brasil se torne a mais recente grande novidade no segmento global de petróleo".
O novo campo fica próximo ao de Tupi, descoberto há dois anos e que se mantém como o maior desde 2000. O "WSJ" afirma que, apesar do otimismo, alguns analistas se mostram céticos, devido às dificuldades de extração de petróleo em águas profundas.
O jornal lembra ainda que a descoberta será especialmente bem-vinda pelos EUA, que terão no Brasil uma fonte alternativa de abastecimento no hemisfério. Atualmente, o país importa petróleo no hemisfério sobretudo da Venezuela.
O Globo
STF: índios aculturados podem receber punição
Presidente do Supremo pede que pena seja estendida a quem ajudou caiapós a agredir engenheiro da Eletrobrás
BRASÍLIA e BELÉM. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou ontem que os índios acusados de agredir o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, um deles com golpe de facão, podem ser punidos, caso se comprove que são aculturados. Segundo o ministro, esse tem sido o entendimento de vários tribunais. Mendes considera importante estender a punição a quem teria, de alguma forma, estimulado a ação dos indígenas.
O ministro disse que não poderia falar sobre o caso específico. Mas deixou claro que índios podem ser punidos se a polícia e o Ministério Público provarem que eles entendem as regras básicas do convívio entre não-índios:
- Os tribunais têm tido várias provocações sobre a imputabilidade ou não de indígenas que se envolvem nesses fatos típicos. E a resposta tem sido, na maioria das vezes, positiva, entendendo que, especialmente no caso de índios aculturados, capazes de entender a língua portuguesa, que eles são plenamente responsáveis do ponto de vista penal.
Na terça-feira, um grupo de índios caiapós atacou o engenheiro durante um debate em Altamira, no Pará, sobre o impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte na região. Rezende foi agredido a socos e pontapés. Um dos índios desferiu um golpe de facão no engenheiro.
- É preciso que nós todos aprendamos a debater dentro de padrões civilizatórios mínimos. Discutir sem violentar. E se isso é estimulado, tanto pior. É preciso que se reprima também aquele que atiça, que estimula a prática atos de violência - disse Mendes.
Índios caiapós e de outras etnias que feriram Rezende ameaçaram ontem com novos conflitos caso o governo insista na construção de Belo Monte. Num abaixo-assinado intitulado "Documento dos Povos Indígenas da Bacia do Xingu", com mais de 300 assinaturas, entregue ao juiz federal substituto da Subseção de Altamira, Antonio Carlos Campelo, os índios advertem: "Ainda que haverá conflito entre o empreendedor e os povos indígenas caso os senhores não parem com essas obras. Aconteça o que acontecer, nós, povos indígenas, morreremos defendendo as nossas vidas, nossos patrimônios e nossas terras".
Os índios pediram ao juiz que envie o abaixo-assinado à Presidência da República.
Padre e coordenador do Cimi negam compra de facões
A Polícia Federal (PF), que investiga o caso, divulgou imagens do circuito interno de uma loja de materiais de construção em Altamira em que o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Xingu, José Cleanton Ribeiro, aparece comprando três facões em companhia de um índio, na véspera do ataque. Também aparece no vídeo o padre Andoni Ledesma, de Altamira.
O padre, coordenador da Pastoral de Comunicação da Prelazia do Xingu, e Ribeiro negaram, ontem, em depoimento ao delegado da PF Eduardo Jorge Ferreira que tenham adquirido os facões, chamados terçados, usados pelos índios na agressão ao engenheiro. O delegado não informou se houve indiciamentos, mas não descarta responsabilizar as entidades que organizaram o evento "Xingu Vivo para Sempre" pela agressão.
As 11 entidades à frente do seminário divulgaram ontem nota rejeitando a responsabilidade pelo incidente e afirmando que as declarações do delegado "revelam postura precipitada e equivocada, que destoa da realidade dos fatos".
A organização do evento esclareceu em nota que o Cimi, responsável pela infra-estrutura dos índios, comprou os facões a pedido dos caiapós porque as armas brancas são "acessórios imprescindíveis das suas indumentárias". "O atendimento ao pedido de liderança do povo caiapó, para a aquisição de três facões, que na cultura desse povo indígena caracterizam-se como instrumentos de trabalho e de defesa das índias, baseou-se no respeito à cultura e identidade desses povos", afirma a nota.
Também prestou depoimento Antônio Martins, dirigente do Movimento de Mulheres Trabalhadoras (MMT) de Altamira, que aparece nas filmagens. A nota fiscal da compra de cinco facões foi emitida em nome do MMT.
Dom Erwin Krautler, que comanda a Prelazia do Xingu, desafiou a PF a apresentar qualquer prova que relacione a entidade à compra dos facões. Em sua opinião, o ataque ao engenheiro foi um ato imprevisto:
- Foi a maneira decisiva de os índios se manifestarem acerca de uma questão vital para eles. Não se pode demonizar o incidente.
Ele disse ainda que o engenheiro, de certa forma, provocou os índios.
Thursday, May 22, 2008
Temporão recorre ao Exército
Ministro anuncia que pedirá ajuda às Forças Armadas para levar médicos a 200 municípios na fronteira do país. Ao todo, mil cidades brasileiras não têm nenhum profissional da área à disposição
Da Redação
Os habitantes dos rincões do Brasil que contam apenas com benzedeiras e ervas medicinais para curar seus males podem ter, finalmente, o direito constitucional de saúde garantido. O Ministério da Saúde quer levar médicos para cerca de 200 municípios na fronteira do Brasil onde não existem profissionais da área. Para suprir a falta do principal responsável pela promoção da saúde da população, o ministro José Gomes Temporão quer recorrer ao Exército e à Marinha. Mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) lembra que o déficit de médicos não é por falta de pessoal, mas pela falta de uma política de promoção do segmento.
“No total, temos mil municípios sem médicos”, observou ontem Temporão, que promete para junho a finalização de uma proposta em discussão no governo para resolver a deficiência na área. Temporão disse que a Saúde está negociando com o Ministério da Defesa para que as Forças Armadas fiquem encarregadas de dar assistência médica a 20% das cidades que não dispõem de médicos. “Principalmente as que ficam nas fronteiras, mediante um repasse de recursos. Temos de chegar a essas pessoas de alguma forma”, ressalta.
O Ministério da Defesa já atua no atendimento a comunidades distantes. Em regiões da Amazônia onde só se chega de barco ou avião, por exemplo, a Força Nacional Terrestre monta hospitais de campanha e realiza atendimentos médicos. Já a Marinha atua por meio de embarcações de assistência hospitalar. Na semana passada, o navio Oswaldo Cruz concluiu atendimento a 20 comunidades ribeirinhas do Vale do Javari. Segundo informações do Comando do 9º Distrito Naval da Marinha, em Manaus, foram realizados 4,7 mil procedimentos de saúde como atendimentos médicos, odontológicos, de enfermagem e vacinação.
Déficit
A declaração do ministro foi feita no dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo constatando que a falta de médicos chega a 4,3 milhões no mundo. Segundo o levantamento, um dos principais problemas seria a falta de investimentos dos países em desenvolvimento. Segundo o ministro Temporão, está em estudo a criação de uma nova carreira no sistema público para atrair médicos para essas regiões mais remotas.
“É só fazer concurso público com perspectivas profissionais que vai ter médico nos rincões do país”, dispara o integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM) Geraldo Guedes, coordenador da Comissão Nacional Pró-SUS do conselho. “Carreira de estado como juiz e promotor vai para essas regiões porque tem perspectiva de ir para locais melhores depois de cumprir um tempo de serviço. As Forças Armadas vão cobrir um espaço onde o Estado se omitiu. Falta políticas de incentivo e o governo sabe disso”, diz.
Segundo Guedes, o CFM entregou ao Ministério da Saúde no ano passado uma análise da situação do atendimento médico no país. “Constatamos uma situação de falência da área. Além da fronteira, falta profissional de saúde na periferia das grandes cidades. Em março deste ano mandamos carta para o presidente Lula. De que adianta médico sem estrutura para trabalhar com dignidade”, ressalta. Dados do conselho mostram que o Brasil conta com 319 mil médicos. “Temos uma boa relação de médicos por número de habitantes no país. O problema está na distribuição geográfica da categoria porque o mercado é o único instrumento de distribuição de profissionais hoje”, explica Guedes. Estima-se que 75% dos 186 milhões de habitantes do país recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS). “São 140 milhões de pessoas que dependem de atendimento médico da prevenção à alta complexidade, já que apenas 40 milhões de brasileiros têm plano de saúde”, destaca o médico.
Folha de São Paulo TURISMO
Velha prisão foi transformada em três museus
Além de instalações da Marinha, a Argentina reforçou o povoado de Ushuaia com a construção de uma prisão -os prisioneiros foram encarregados das obras civis- que funcionou entre 1902 e 1947.
Ela era reservada a prisioneiros perigosos. Mas há versões de que o cantor Carlos Gardel (1890-1935), antes de iniciar a carreira artística, tenha sido um pensionista forçado das instalações.
A prisão virou hoje três museus, ao lado de um pequeno e interessante Museu da Marinha.
O primeiro é sobre a vida na colônia penal. E os dois outros, espaços para exposições de artes plásticas. (JBN)
Folha de São Paulo BRASIL
Minc diz que devastação cresceu e põe culpa em MT
O mais recente estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre desmatamento na Amazônia responsabilizará o Estado de Mato Grosso por mais de 60% das ocorrências, disse Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente.
Os detalhes do estudo serão conhecidos na semana que vem, afirmou Minc, que esteve reunido no Rio com a cúpula do Inpe. Mesmo sem se aprofundar no assunto, o novo ministro usou as conclusões do instituto para criticar o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), que o atacara na véspera.
"Segunda-feira agora, o Inpe vai divulgar uma nova estatística de desmatamento de terra. (...) Vai ser um dado ruim, vai ser um dado de aumento. E, para variar, mais de 60% em qual Estado? Quem sabe? Mato Grosso", disse Minc, na entrevista concedida na Secretaria do Ambiente do Estado do Rio.
O ministro sugeriu a Blairo que passe a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O governador Blairo Maggi é um homem público. Como todo homem público, tem que assumir responsabilidades. (...) Não quero impor nada a ninguém. Pelo contrário, estou chegando agora. (...) O presidente Lula disse OK [à proposta da guarda ambiental]. A partir de agora o Blairo não deve brigar comigo, deve brigar com o presidente", disse Minc, que toma posse na terça.
O novo ministro voltou a defender mais rapidez nos licenciamentos, em resposta ao futuro presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, que disse à Folha não ver motivos para agilizar a emissão das licenças. Segundo Minc, Messias Franco aceitou o cargo "nesses termos". O ideal, segundo ele, é que 10% do tempo dos funcionários do Ibama encarregados de licenciamento seja dedicado à análise da "burocracia", para "focar 90% no que interessa".
Para o ministro, "há dois caminhos para resolver bem a questão do agronegócio". Um é o que chama de zoneamento econômico-ecológico, que interessa "ao pessoal mais avançado do agronegócio" porque "dá uma regra clara: aqui pode, aqui não". O outro é "um setor que é atrasadíssimo, que está convertendo a Amazônia em pasto". Reiterou ser contra energia nuclear e a construção de Angra 3, mas como o governo já decidiu por ela, acatará a decisão sem questionamentos.
O Globo O PAÍS
Brasil quer criar Conselho de Defesa
Proposta será debatida em reunião de países sul-americanos amanhã
BRASÍLIA. Com o argumento de que é sempre mais fácil resolver os problemas conversando de forma pacífica, com base no diálogo construtivo, o governo brasileiro trabalha para que, na reunião de presidentes da América do Sul, que acontecerá amanhã, em Brasília, seja criado o Conselho de Defesa Sul-Americano. A proposta foi levada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, aos países da região e, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a expectativa é que a idéia receba a adesão das nações sul-americanas:
- Estamos confiantes. Isso só será benéfico para todos. Permitirá a discussão de temas e o esclarecimento de situações equívocas - disse Amorim, após participar de uma audiência pública no Senado. - Esperamos a adesão de todos.
Os chefes de Estado que estarão reunidos em Brasília vão assinar o tratado constitutivo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O Conselho de Defesa, explicou o ministro das Relações Exteriores, deverá ser criado em um ato à parte.
Algumas questões deverão ser discutidas, como a crise desencadeada pela incursão de tropas colombianas no Equador - quando foram mortos dezenas de guerrilheiros, entre eles o segundo homem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes - e a necessidade de cooperação entre os exércitos dos países amazônicos, para preservar a Floresta Amazônica e proteger os povos que nela vivem.
O objetivo é promover uma articulação de políticas regionais de defesa, a organização de exercícios conjuntos e a harmonização de forças de paz. Outra diretriz consiste em uma aproximação entre as indústrias, o que poderia resultar na produção e exportação conjunta de armamento, veículos e equipamentos em geral da indústria bélica. O assunto foi tratado ontem por Jobim e o presidente Lula.
Fontes do Ministério da Defesa disseram que há respaldo para a criação do conselho de todos os países sul-americanos, "uns mais entusiastas que outros", caso da Colômbia, que ainda está analisando o tema. Uma das alternativas para agradar os colombianos é escolher Bogotá como sede do conselho.
Brasil informou aos EUA sobre proposta do conselho
As explicações sobre o Conselho de Defesa foram dadas ao governo dos Estados Unidos. Fontes da área diplomática comentaram que a Casa Branca estaria convencida de que a investida brasileira tem como alvo a cooperação, a amizade, a resposta mais rápida aos desastres naturais, as missões de país e o combate ao narcotráfico.
O Globo O PAÍS
Pressão mantém reajustes de servidores
Governo manda projeto de lei ao Congresso, mas não retira MPs da pauta
BRASÍLIA. Pressionado de um lado pelo Congresso - que reclama do excesso de medidas provisórias - e de outro pela equipe econômica - que diz não ter folga de caixa para novas despesas -, o governo encontrou uma saída intermediária para manter o reajuste salarial dos servidores públicos, principalmente dos militares. O Planalto resolveu mandar ainda ontem um projeto de lei para o Congresso, com urgência urgentíssima, abrindo crédito extraordinário de R$7,6 bilhões, para custear o reajuste. No entanto, as medidas provisórias que tratam dos dois assuntos não serão retiradas, como sugeriam os líderes do governo na noite de terça-feira. Só depois que o Congresso aprovar o projeto, será revogada a medida provisória do crédito extraordinário.
A retirada da medida provisória do crédito extraordinário, negociada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), com os líderes partidários, foi rechaçada pelos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Nelson Jobim (Defesa). Anteontem à noite, Jobim teve um diálogo ríspido com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que apoiou a iniciativa de Jucá. Jobim não quer contratempos que inviabilizem o aumento dos militares.
- Durante a noite, recebi um telefonema do ministro Nelson Jobim dizendo que a medida provisória e seus efeitos já estavam em vigor. Portanto, ela continua vigendo. Com o envio do projeto de lei, o que está acontecendo não sofrerá solução de continuidade, porque tem a proteção da MP - afirmou Múcio.
Num primeiro momento, Jucá sugeriu a substituição das duas MPs por projeto de lei. Depois, propôs que somente a medida provisória do crédito extraordinário fosse retirada, mas Paulo Bernardo argumentou que, se isso fosse feito, não haveria dinheiro para bancar os reajustes. O projeto de lei vai tramitar em regime de urgência constitucional - terá 45 dias para ser votado na Câmara e no Senado.
- Nós mandamos o crédito porque o volume de receita que está no Orçamento não é suficiente (para custear o aumento salarial). Se eu retirar o crédito, não tem dinheiro no Orçamento para dar o reajuste - afirmou Paulo Bernardo, fazendo prevalecer a proposta de manter as duas MPs tramitando até a votação do projeto de lei.
O reajuste beneficiará 17 categorias de servidores federais - 800 mil pessoas - e os militares das Forças Armadas. O aumento dos servidores civis vai custar R$3,4 bilhões. Os percentuais de aumento dos civis são variados: na Polícia Federal, por exemplo, o menor é de 11,05% e o maior, 101,97%. Nas carreiras da Previdência, Saúde e Trabalho chega a 137%. O impacto do aumento dos militares, entre 35,31% e 137,83%, é de R$4,2 bilhões. Os reajustes serão parcelados em três anos.
O Globo O PAÍS
A 'casca de banana atômica'
O licenciamento ambiental da usina de Angra 3 virou, nas palavras de Carlos Minc, "uma casca de banana atômica". Ontem, ele foi obrigado a deixar o histórico de opositor à energia nuclear e adotou um discurso político, de quem discorda mas precisa aceitar as condições impostas pelo governo. Minc disse acreditar que "o Brasil é a terra do sol, dos ventos e da biomassa". Mas deixou claro que não pretende se desgastar com o governo federal por isso.
- Sou conhecido por ser adversário do uso da energia nuclear, como o Fernando Gabeira, a Marina Silva e vários outros. Só que sou do governo. Quando o assunto foi votado no Conselho Nacional de Energia, a ex-ministra votou contra e foi voto vencido. Se estivesse lá, votaria como ela - disse Minc. - Até espero que a maior parte das nossas bandeiras sejam aprovadas pelo governo. Mas não tenho a pretensão de ser um cara mimado, que quer impor sua posição em todos os casos. O licenciamento será tratado com o rigor da lei e das compensações ambientais. (T.B.)
O Globo O PAÍS
Mais indústrias na floresta
Mangabeira expõe planos para Amazônia e é aclamado por ruralistas
Evandro Éboli
BRASÍLIA. O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, saiu da Câmara ontem elogiado por representantes da bancada ruralista depois de expor seus planos para a Amazônia. No mesmo dia em que o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu que o desmatamento voltou a crescer, Mangabeira disse ser preciso vincular a floresta à indústria, instalando na Amazônia empresas que transformem os produtos florestais. Para alegria de parlamentares ligados ao agronegócio e a madeireiros, ele defendeu a instalação de indústrias na região e a flexibilização do direito de propriedade privada.
Mangabeira, coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS), ressaltou que não se pode ver a região como um santuário intocável sem o desenvolvimento de ações produtivas, e defendeu alternativas "ambientalmente seguras e economicamente viáveis":
- O que a população da Amazônia mais quer é oportunidade de emprego. É preciso criar meios práticos para efetivar essa aspiração.
"Faltaram visão econômica e segurança jurídica"
Também disse que, se a população da região, os pequenos produtores e os extrativistas não tiverem oportunidades e instrumentos econômicos, "serão levados mesmo a desmatar". O ministro afirmou, em audiência na Comissão da Amazônia, que as duas principais atividades econômicas na região são a produção da Zona Franca de Manaus e a mineração no Pará.
- São atividades econômicas que têm pouco a ver com a floresta.
O ministro citou várias vezes a necessidade de se fazer o zoneamento econômico e ecológico da Amazônia, um levantamento cartográfico que irá não apenas identificar os diversos biomas da Amazônia, mas apontar a exploração econômica mais adequada para cada região.
- Há muito tempo se fala nesse zoneamento. Fala-se muito e faz-se muito menos. Faltaram visão econômica e segurança jurídica.
Mangabeira disse que é preciso resolver o problema fundiário da Amazônia, onde proprietários de terra não têm a titulação da área. Ele disse que esse fator gera insegurança jurídica:
- É preciso uma revisão do arcabouço jurídico. Nenhum país continental resolveu isso sem simplificar o direito de propriedade. É necessário sair da situação de posse insegura para a posse segura da terra.
O ministro elogiou recente decisão do governo de dispensar licitação para transferência de terras para particulares, mas considerou esta medida ainda insuficiente.
- É preciso mais. Tem que se permitir a quem goza da posse da terra que goze também das prerrogativas da propriedade.
Mangabeira defendeu o pagamento de uma remuneração específica para pequenos produtores e extrativistas, segundo ele uma espécie de compensação mensal pela vigilância da terra.
A audiência não chegou ao fim. O ministro tinha um compromisso e teve que se retirar, o que irritou alguns parlamentares.
- É uma deselegância isso. Nós também temos compromissos e os deixamos de lado para comparecer aqui e não só para ouvir, mas também para falar - protestou Márcio Junqueira (DEM-RR), ligado ao líder arrozeiro Paulo César Quartiero.
"É bom saber que o senhor tem outra visão", comemora ruralista
O ministro pediu desculpas e comprometeu-se a retornar.
Deputados ligados a fazendeiros e madeireiros, como Giovanni Queiroz (PDT-PA), parabenizaram o ministro:
- O Ministério do Meio Ambiente tem sido omisso e acomodado. Que bom saber que o senhor tem outra visão e pretende tirar a Amazônia do estrangulamento econômico que vive.
- O fundamentalismo está sendo substituído pela inteligência - disse Nilson Pinto (PSDB-PA).
O Globo O PAÍS
POLÍTICA AMBIENTAL
Minc: desmatamento aumentou
Tulio Brandão e Anselmo Carvalho Pinto
Em resposta a Maggi, ministro diz que Mato Grosso é maior responsável por avanço da devastação
- Na próxima segunda, o Inpe vai divulgar dados estatísticos de desmatamento em tempo real. Vai ser um dado ruim, de aumento. E, para variar, mais de 60% em que estado? Em Mato Grosso - disse o ministro.
De acordo com a assessoria do Inpe, o sistema Deter, divulgado mensalmente, é sujeito a imprecisões por não ter resolução suficiente para identificar desmatamentos menores que 25 hectares e sofrer com a influência das nuvens. Nem toda área de corte de árvores é identificada. Segundo o instituto, a possibilidade de observação em Mato Grosso aumentou muito de março para abril, já que apenas 14% da área daquele estado esteve sob nuvens no mês anterior.
O levantamento de desmatamento mensal é feito pelo Inpe desde maio de 2004, com dados do sensor Modis, do satélite Terra/Aqua, e do Sensor WFI do satélite CBERS, de resolução de 250 metros. Segundo o instituto, há uma possibilidade remota de os dados completos do mês de abril serem divulgados amanhã.
Governo de MT estranha dados
No último levantamento do Deter divulgado pelo Inpe, relativo a março, mais da metade dos pontos de desmatamento identificados na Amazônia já estavam em Mato Grosso - 27 de 52. Minc disse ontem, durante entrevista de apresentação da nova secretária do Ambiente do Rio, Marilene Ramos, que Maggi terá que assumir responsabilidades com o presidente Lula. O presidente já teria autorizado Minc a solicitar aos governadores o uso da PM no combate a crimes ambientais.
- Estou chegando agora, não quero criar polêmica. Eu conversei inicialmente sobre o Exército. O ministro Tarso Genro (Justiça) sugeriu o outro caminho (da PM), explicou que era mais simples. Levamos a questão ao Lula, que deu o OK. A partir de agora, o Blairo não deve brigar comigo, e sim com o presidente Lula, que já bateu o martelo - afirmou o novo ministro.
O governo de Mato Grosso reagiu à declaração de Minc sobre o aumento do desmatamento. O secretário-adjunto de Qualidade Ambiental, Salatiel Alves de Araújo, estranhou a divulgação dos dados pelo novo ministro:
- Essas informações são estranhas. Estão totalmente desconexas com a metodologia utilizada pelo Inpe. Estamos averiguando para saber que números novos são esses.
Segundo Araújo, o Inpe não tabulou o desmate dos primeiros meses de 2007, o que impediria comparação com o mesmo período em 2008:
- Ele (Minc) fala em aumento nos primeiros cinco meses do ano, mas maio nem terminou. É estranho.
O governo de Mato Grosso insiste que, ao contrário do que tem sido informado, o desmatamento no estado diminuiu nos últimos cinco anos. Em seu favor, usa os números do Inpe consolidados pelo Prodes, de monitoramento da Amazônia por satélite. Segundo o Prodes, a área devastada no estado caiu de 11.814 km² entre 2003 e 2004 para 2.476 km² entre 2006 e 2007. Os dados são de agosto a agosto.
O secretário também contesta a divulgação pelo ministério de dados do Deter, como dados consolidados:
- O Deter serve para mostrar indícios de desmatamento. O Prodes é o número final, com o qual dá para fazer comparações entre um ano e outro.
O Globo ECONOMIA
YES, NÓS TEMOS ENERGIA
Descobertas a toque de caixa
Ramona Ordoñez e Juliana Rangel
Petrobras anuncia mais óleo no pré-sal em corrida contra o tempo para garantir blocos
APetrobras anunciou ontem mais uma descoberta em águas ultraprofundas na Bacia de Santos, abaixo da camada de sal, numa área batizada de Bem-te-vi. Foi o sexto anúncio desde o ano passado. Segundo uma fonte da estatal, a companhia corre contra o tempo: com só três sondas capazes de perfurar em grande profundidade, precisa confirmar a existência de petróleo ou gás nos sete blocos no pré-sal de Santos antes do vencimento dos contratos de concessão que tem com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A maioria vence até outubro. Os blocos têm de ser devolvidos à ANP, se não houver descobertas até lá.
Em consórcio no qual é operadora e sócia da Shell e da portuguesa Galp Energia, a Petrobras descobriu petróleo de boa qualidade, em um poço no bloco BMS-8, a 250 km da costa de São Paulo e a uma profundidade total de 6.773 metros. A estatal não divulgou estimativas de reservas.
Segundo a fonte, a Petrobras identifica indícios de petróleo e desloca a sonda para outro bloco, ganhando mais prazo para apresentar à ANP seu plano de avaliação. Um dos fatores importantes na descoberta de ontem é que o petróleo está a mais de 6 mil metros, contra os 5 mil de Tupi, Júpiter e Carioca - quanto a este, o presidente da ANP, Haroldo Lima, declarou mês passado que as reservas seriam de 33 bilhões de barris, o que foi desmentido pela Petrobras.
- Descemos a uma profundidade maior e a estrutura de petróleo continua, é bem extensa - disse a fonte.
Descobertas podem formar único campo
Já se descobriram indícios também no BMS-21 (Caramba) e no BMS-10 (Parati). Uma das sondas está indo para a área Yara, no BMS-11, onde fica Tupi. Outra está em Carioca, e a terceira vai para o BMS-24, onde fica Júpiter. No BMS-22, operado pela Exxon em consórcio com a Petrobras, ainda não foram feitas descobertas.
Cogita-se que todas as áreas do pré-sal de Santos formam um único campo, com até 50 bilhões de barris de óleo recuperável. Segundo o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da Coppe/UFRJ, acreditava-se que o maior campo do mundo - Gawar, na Arábia Saudita - fossem vários campos em separado e, depois, constatou-se que era um só.
- Como se trata de uma área contígua a Tupi, qualquer coisa que seja descoberta no entorno vai deixar o mercado animado - diz o analista Felipe Cunha, da Brascan.
As ações preferenciais da Petrobras (PN, sem direito a voto) fecharam a R$52,51, com alta de 1,64%. As ações ordinárias (ON) subiram 1,3%, para R$62,30. Em sete dias, as ações PN avançaram 13,41% e as ON, 12,53%.
A expectativa do anúncio da descoberta, feita após o fechamento do mercado no Brasil, impulsionou as ações de parceiras da Petrobras no exterior. Em Nova York, as ações da Shell avançaram 2,51%, enquanto as ADRs da Petrobras, 1,46%. Em Portugal, as ações da Galp Energia subiram 3,9%. Anteontem, o presidente-executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, afirmara, ao anunciar lucros acima do esperado, que os desdobramentos das perfurações em Bem-te-vi seriam anunciados em breve.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem que a Petrobras seja "o motor do desenvolvimento brasileiro", comprando máquinas e insumos do mercado nacional.
- A Petrobras vai crescer muito, e eu quero que os navios, as plataformas e as sondas sejam todos produzidos aqui, gerando mais empregos e mais renda - disse Lula, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), segundo participantes.
Durante o dia, a Petrobras chegou a superar a General Electric (GE) como quinta maior empresa do mundo, com valor de mercado de US$313,8 bilhões. A GE caiu 2,3% em Nova York, o que reduziu seu valor para US$308,9 bilhões. Mas no fechamento da Bovespa, a estatal voltou a US$307,8 bilhões.
O Globo ECONOMIA
BB negocia compra do banco paulista Nossa Caixa
Objetivo da instituição é liderar mercado em São Paulo, onde ocupa o 4º lugar. Analista estima operação em pelo menos R$9 bi
Aguinaldo Novo, Henrique Gomes Batista e Geralda D
BRASÍLIA e SÃO PAULO. Buscando desbancar a concorrência no mercado paulista - no qual, apesar de líder nacional, amarga a quarta posição -, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem à noite que iniciou negociações para a compra da Nossa Caixa. O banco, controlado pelo governo de São Paulo, tem ativos de R$47,431 bilhões - que renderam lucro líquido de R$114,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, 31% a mais do que no mesmo período de 2007 - e 5,7 milhões de clientes. A operação depende de aval da Assembléia Legislativa de São Paulo.
A Nossa Caixa é vista no mercado como "a grande jóia" entre os bancos estaduais. Seu principal trunfo são as receitas provenientes da administração da folha de pagamento do governo paulista, cujo direito foi comprado em 2007 por R$2 bilhões.
O presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, estima que o BB teria de gastar na operação entre 3 e 3,5 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa (R$2,9 bilhões), o que corresponderia a pelo menos R$9 bilhões.
A intenção do negócio, sem prazo para conclusão, foi informada em fato relevante enviado à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- Essa postura faz parte de uma estratégia adotada desde o ano passado, com as negociações para a incorporação do Besc (banco estadual catarinense) e do BRB (do governo do Distrito Federal). Mas também tivemos outras ações, como abertura de uma diretoria de cartão de crédito, que nos possibilita oferecê-los aos não-clientes, criação do financiamento imobiliário e reforço em nossa presença no financiamento de veículos - afirmou Antonio Lima Neto, presidente do BB.
Segundo ele, a aquisição levaria o BB a disputar a liderança do mercado paulista:
- O estado é a arena bancária mais competitiva do país.
Na semana passada, o BB anunciou que absorverá o Banco Popular, subsidiária criada em 2003 para atender a baixa renda e que nunca obteve lucros.
Segundo Lima Neto, as tratativas iniciais foram técnicas e sem conversas diretas com o governador José Serra (PSDB).
O Globo O MUNDO
Líbano: acordo põe fim a crise
Hezbollah terá poder de veto em decisões do governo e lei eleitoral será modificada
TEL AVIV. Após seis dias de diálogo em Doha, no Qatar, representantes do governo libanês e da oposição, liderada pelo grupo xiita Hezbollah, chegaram a um acordo para pôr fim a 18 meses de crise que deixaram o Líbano à beira de uma guerra civil. Numa negociação mediada pela Liga Árabe, o documento final prevê reformas eleitorais e a nomeação de um novo presidentes, além de dar poder de veto à oposição. O acordo é considerado por analistas uma vitória do Hezbollah após uma violenta demonstração de força que paralisou o país há duas semanas.
O Parlamento libanês convocou uma sessão para domingo para nomear o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, presidente, cargo vago há seis meses. A coalizão de maioria sunita que sustenta o premier, Fuad Siniora, formará um governo de união nacional.
Coalizão no poder terá 14 dos 30 ministros, oposição 11
O documento determina que a coalizão 14 de Março vai manter 14 das 30 pastas do Gabinete e o poder de escolher o premier. A oposição fica com 11 ministros, e outros três serão escolhidos pelo presidente. O acordo também prevê a discussão de novas leis eleitorais que garantam maior representatividade aos 18 grupos étnicos e religiosos do Líbano nas próximas eleições, ano que vem. Em troca, os opositores garantiram que não vão recorrer às armas em caso de novas divergências políticas.
Irã e Síria, que apóiam o Hezbollah, elogiaram o acordo. Mas analistas temem que as concessões feitas ao grupo podem afetar a credibilidade do 14 de Março, e ainda há ceticismo quanto à estabilidade do país. Há poucos dias, o líder do partido Mustaqbal, Saad Hariri, garantiu aos libaneses não estar disposto a revogar as medidas tomadas contra o grupo radical. Ontem, horas após a assinatura da resolução, Hariri comemorou, afirmando que o entendimento era uma vitória que colocaria o Líbano numa nova era.
O país está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, pró-Síria, deixou o cargo. A crise se agravou há duas semanas, quando o governo anunciou medidas para investigar o Hezbollah. O grupo respondeu com protestos que se transformaram em confrontos entre milícias governistas e oposicionistas em diversos pontos do Líbano. Pelo menos 65 pessoas morreram. (R.M.)
Ministro anuncia que pedirá ajuda às Forças Armadas para levar médicos a 200 municípios na fronteira do país. Ao todo, mil cidades brasileiras não têm nenhum profissional da área à disposição
Da Redação
Os habitantes dos rincões do Brasil que contam apenas com benzedeiras e ervas medicinais para curar seus males podem ter, finalmente, o direito constitucional de saúde garantido. O Ministério da Saúde quer levar médicos para cerca de 200 municípios na fronteira do Brasil onde não existem profissionais da área. Para suprir a falta do principal responsável pela promoção da saúde da população, o ministro José Gomes Temporão quer recorrer ao Exército e à Marinha. Mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) lembra que o déficit de médicos não é por falta de pessoal, mas pela falta de uma política de promoção do segmento.
“No total, temos mil municípios sem médicos”, observou ontem Temporão, que promete para junho a finalização de uma proposta em discussão no governo para resolver a deficiência na área. Temporão disse que a Saúde está negociando com o Ministério da Defesa para que as Forças Armadas fiquem encarregadas de dar assistência médica a 20% das cidades que não dispõem de médicos. “Principalmente as que ficam nas fronteiras, mediante um repasse de recursos. Temos de chegar a essas pessoas de alguma forma”, ressalta.
O Ministério da Defesa já atua no atendimento a comunidades distantes. Em regiões da Amazônia onde só se chega de barco ou avião, por exemplo, a Força Nacional Terrestre monta hospitais de campanha e realiza atendimentos médicos. Já a Marinha atua por meio de embarcações de assistência hospitalar. Na semana passada, o navio Oswaldo Cruz concluiu atendimento a 20 comunidades ribeirinhas do Vale do Javari. Segundo informações do Comando do 9º Distrito Naval da Marinha, em Manaus, foram realizados 4,7 mil procedimentos de saúde como atendimentos médicos, odontológicos, de enfermagem e vacinação.
Déficit
A declaração do ministro foi feita no dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo constatando que a falta de médicos chega a 4,3 milhões no mundo. Segundo o levantamento, um dos principais problemas seria a falta de investimentos dos países em desenvolvimento. Segundo o ministro Temporão, está em estudo a criação de uma nova carreira no sistema público para atrair médicos para essas regiões mais remotas.
“É só fazer concurso público com perspectivas profissionais que vai ter médico nos rincões do país”, dispara o integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM) Geraldo Guedes, coordenador da Comissão Nacional Pró-SUS do conselho. “Carreira de estado como juiz e promotor vai para essas regiões porque tem perspectiva de ir para locais melhores depois de cumprir um tempo de serviço. As Forças Armadas vão cobrir um espaço onde o Estado se omitiu. Falta políticas de incentivo e o governo sabe disso”, diz.
Segundo Guedes, o CFM entregou ao Ministério da Saúde no ano passado uma análise da situação do atendimento médico no país. “Constatamos uma situação de falência da área. Além da fronteira, falta profissional de saúde na periferia das grandes cidades. Em março deste ano mandamos carta para o presidente Lula. De que adianta médico sem estrutura para trabalhar com dignidade”, ressalta. Dados do conselho mostram que o Brasil conta com 319 mil médicos. “Temos uma boa relação de médicos por número de habitantes no país. O problema está na distribuição geográfica da categoria porque o mercado é o único instrumento de distribuição de profissionais hoje”, explica Guedes. Estima-se que 75% dos 186 milhões de habitantes do país recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS). “São 140 milhões de pessoas que dependem de atendimento médico da prevenção à alta complexidade, já que apenas 40 milhões de brasileiros têm plano de saúde”, destaca o médico.
Folha de São Paulo TURISMO
Velha prisão foi transformada em três museus
Além de instalações da Marinha, a Argentina reforçou o povoado de Ushuaia com a construção de uma prisão -os prisioneiros foram encarregados das obras civis- que funcionou entre 1902 e 1947.
Ela era reservada a prisioneiros perigosos. Mas há versões de que o cantor Carlos Gardel (1890-1935), antes de iniciar a carreira artística, tenha sido um pensionista forçado das instalações.
A prisão virou hoje três museus, ao lado de um pequeno e interessante Museu da Marinha.
O primeiro é sobre a vida na colônia penal. E os dois outros, espaços para exposições de artes plásticas. (JBN)
Folha de São Paulo BRASIL
Minc diz que devastação cresceu e põe culpa em MT
O mais recente estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre desmatamento na Amazônia responsabilizará o Estado de Mato Grosso por mais de 60% das ocorrências, disse Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente.
Os detalhes do estudo serão conhecidos na semana que vem, afirmou Minc, que esteve reunido no Rio com a cúpula do Inpe. Mesmo sem se aprofundar no assunto, o novo ministro usou as conclusões do instituto para criticar o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), que o atacara na véspera.
"Segunda-feira agora, o Inpe vai divulgar uma nova estatística de desmatamento de terra. (...) Vai ser um dado ruim, vai ser um dado de aumento. E, para variar, mais de 60% em qual Estado? Quem sabe? Mato Grosso", disse Minc, na entrevista concedida na Secretaria do Ambiente do Estado do Rio.
O ministro sugeriu a Blairo que passe a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O governador Blairo Maggi é um homem público. Como todo homem público, tem que assumir responsabilidades. (...) Não quero impor nada a ninguém. Pelo contrário, estou chegando agora. (...) O presidente Lula disse OK [à proposta da guarda ambiental]. A partir de agora o Blairo não deve brigar comigo, deve brigar com o presidente", disse Minc, que toma posse na terça.
O novo ministro voltou a defender mais rapidez nos licenciamentos, em resposta ao futuro presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, que disse à Folha não ver motivos para agilizar a emissão das licenças. Segundo Minc, Messias Franco aceitou o cargo "nesses termos". O ideal, segundo ele, é que 10% do tempo dos funcionários do Ibama encarregados de licenciamento seja dedicado à análise da "burocracia", para "focar 90% no que interessa".
Para o ministro, "há dois caminhos para resolver bem a questão do agronegócio". Um é o que chama de zoneamento econômico-ecológico, que interessa "ao pessoal mais avançado do agronegócio" porque "dá uma regra clara: aqui pode, aqui não". O outro é "um setor que é atrasadíssimo, que está convertendo a Amazônia em pasto". Reiterou ser contra energia nuclear e a construção de Angra 3, mas como o governo já decidiu por ela, acatará a decisão sem questionamentos.
O Globo O PAÍS
Brasil quer criar Conselho de Defesa
Proposta será debatida em reunião de países sul-americanos amanhã
BRASÍLIA. Com o argumento de que é sempre mais fácil resolver os problemas conversando de forma pacífica, com base no diálogo construtivo, o governo brasileiro trabalha para que, na reunião de presidentes da América do Sul, que acontecerá amanhã, em Brasília, seja criado o Conselho de Defesa Sul-Americano. A proposta foi levada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, aos países da região e, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a expectativa é que a idéia receba a adesão das nações sul-americanas:
- Estamos confiantes. Isso só será benéfico para todos. Permitirá a discussão de temas e o esclarecimento de situações equívocas - disse Amorim, após participar de uma audiência pública no Senado. - Esperamos a adesão de todos.
Os chefes de Estado que estarão reunidos em Brasília vão assinar o tratado constitutivo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O Conselho de Defesa, explicou o ministro das Relações Exteriores, deverá ser criado em um ato à parte.
Algumas questões deverão ser discutidas, como a crise desencadeada pela incursão de tropas colombianas no Equador - quando foram mortos dezenas de guerrilheiros, entre eles o segundo homem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes - e a necessidade de cooperação entre os exércitos dos países amazônicos, para preservar a Floresta Amazônica e proteger os povos que nela vivem.
O objetivo é promover uma articulação de políticas regionais de defesa, a organização de exercícios conjuntos e a harmonização de forças de paz. Outra diretriz consiste em uma aproximação entre as indústrias, o que poderia resultar na produção e exportação conjunta de armamento, veículos e equipamentos em geral da indústria bélica. O assunto foi tratado ontem por Jobim e o presidente Lula.
Fontes do Ministério da Defesa disseram que há respaldo para a criação do conselho de todos os países sul-americanos, "uns mais entusiastas que outros", caso da Colômbia, que ainda está analisando o tema. Uma das alternativas para agradar os colombianos é escolher Bogotá como sede do conselho.
Brasil informou aos EUA sobre proposta do conselho
As explicações sobre o Conselho de Defesa foram dadas ao governo dos Estados Unidos. Fontes da área diplomática comentaram que a Casa Branca estaria convencida de que a investida brasileira tem como alvo a cooperação, a amizade, a resposta mais rápida aos desastres naturais, as missões de país e o combate ao narcotráfico.
O Globo O PAÍS
Pressão mantém reajustes de servidores
Governo manda projeto de lei ao Congresso, mas não retira MPs da pauta
BRASÍLIA. Pressionado de um lado pelo Congresso - que reclama do excesso de medidas provisórias - e de outro pela equipe econômica - que diz não ter folga de caixa para novas despesas -, o governo encontrou uma saída intermediária para manter o reajuste salarial dos servidores públicos, principalmente dos militares. O Planalto resolveu mandar ainda ontem um projeto de lei para o Congresso, com urgência urgentíssima, abrindo crédito extraordinário de R$7,6 bilhões, para custear o reajuste. No entanto, as medidas provisórias que tratam dos dois assuntos não serão retiradas, como sugeriam os líderes do governo na noite de terça-feira. Só depois que o Congresso aprovar o projeto, será revogada a medida provisória do crédito extraordinário.
A retirada da medida provisória do crédito extraordinário, negociada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), com os líderes partidários, foi rechaçada pelos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Nelson Jobim (Defesa). Anteontem à noite, Jobim teve um diálogo ríspido com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que apoiou a iniciativa de Jucá. Jobim não quer contratempos que inviabilizem o aumento dos militares.
- Durante a noite, recebi um telefonema do ministro Nelson Jobim dizendo que a medida provisória e seus efeitos já estavam em vigor. Portanto, ela continua vigendo. Com o envio do projeto de lei, o que está acontecendo não sofrerá solução de continuidade, porque tem a proteção da MP - afirmou Múcio.
Num primeiro momento, Jucá sugeriu a substituição das duas MPs por projeto de lei. Depois, propôs que somente a medida provisória do crédito extraordinário fosse retirada, mas Paulo Bernardo argumentou que, se isso fosse feito, não haveria dinheiro para bancar os reajustes. O projeto de lei vai tramitar em regime de urgência constitucional - terá 45 dias para ser votado na Câmara e no Senado.
- Nós mandamos o crédito porque o volume de receita que está no Orçamento não é suficiente (para custear o aumento salarial). Se eu retirar o crédito, não tem dinheiro no Orçamento para dar o reajuste - afirmou Paulo Bernardo, fazendo prevalecer a proposta de manter as duas MPs tramitando até a votação do projeto de lei.
O reajuste beneficiará 17 categorias de servidores federais - 800 mil pessoas - e os militares das Forças Armadas. O aumento dos servidores civis vai custar R$3,4 bilhões. Os percentuais de aumento dos civis são variados: na Polícia Federal, por exemplo, o menor é de 11,05% e o maior, 101,97%. Nas carreiras da Previdência, Saúde e Trabalho chega a 137%. O impacto do aumento dos militares, entre 35,31% e 137,83%, é de R$4,2 bilhões. Os reajustes serão parcelados em três anos.
O Globo O PAÍS
A 'casca de banana atômica'
O licenciamento ambiental da usina de Angra 3 virou, nas palavras de Carlos Minc, "uma casca de banana atômica". Ontem, ele foi obrigado a deixar o histórico de opositor à energia nuclear e adotou um discurso político, de quem discorda mas precisa aceitar as condições impostas pelo governo. Minc disse acreditar que "o Brasil é a terra do sol, dos ventos e da biomassa". Mas deixou claro que não pretende se desgastar com o governo federal por isso.
- Sou conhecido por ser adversário do uso da energia nuclear, como o Fernando Gabeira, a Marina Silva e vários outros. Só que sou do governo. Quando o assunto foi votado no Conselho Nacional de Energia, a ex-ministra votou contra e foi voto vencido. Se estivesse lá, votaria como ela - disse Minc. - Até espero que a maior parte das nossas bandeiras sejam aprovadas pelo governo. Mas não tenho a pretensão de ser um cara mimado, que quer impor sua posição em todos os casos. O licenciamento será tratado com o rigor da lei e das compensações ambientais. (T.B.)
O Globo O PAÍS
Mais indústrias na floresta
Mangabeira expõe planos para Amazônia e é aclamado por ruralistas
Evandro Éboli
BRASÍLIA. O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, saiu da Câmara ontem elogiado por representantes da bancada ruralista depois de expor seus planos para a Amazônia. No mesmo dia em que o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu que o desmatamento voltou a crescer, Mangabeira disse ser preciso vincular a floresta à indústria, instalando na Amazônia empresas que transformem os produtos florestais. Para alegria de parlamentares ligados ao agronegócio e a madeireiros, ele defendeu a instalação de indústrias na região e a flexibilização do direito de propriedade privada.
Mangabeira, coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS), ressaltou que não se pode ver a região como um santuário intocável sem o desenvolvimento de ações produtivas, e defendeu alternativas "ambientalmente seguras e economicamente viáveis":
- O que a população da Amazônia mais quer é oportunidade de emprego. É preciso criar meios práticos para efetivar essa aspiração.
"Faltaram visão econômica e segurança jurídica"
Também disse que, se a população da região, os pequenos produtores e os extrativistas não tiverem oportunidades e instrumentos econômicos, "serão levados mesmo a desmatar". O ministro afirmou, em audiência na Comissão da Amazônia, que as duas principais atividades econômicas na região são a produção da Zona Franca de Manaus e a mineração no Pará.
- São atividades econômicas que têm pouco a ver com a floresta.
O ministro citou várias vezes a necessidade de se fazer o zoneamento econômico e ecológico da Amazônia, um levantamento cartográfico que irá não apenas identificar os diversos biomas da Amazônia, mas apontar a exploração econômica mais adequada para cada região.
- Há muito tempo se fala nesse zoneamento. Fala-se muito e faz-se muito menos. Faltaram visão econômica e segurança jurídica.
Mangabeira disse que é preciso resolver o problema fundiário da Amazônia, onde proprietários de terra não têm a titulação da área. Ele disse que esse fator gera insegurança jurídica:
- É preciso uma revisão do arcabouço jurídico. Nenhum país continental resolveu isso sem simplificar o direito de propriedade. É necessário sair da situação de posse insegura para a posse segura da terra.
O ministro elogiou recente decisão do governo de dispensar licitação para transferência de terras para particulares, mas considerou esta medida ainda insuficiente.
- É preciso mais. Tem que se permitir a quem goza da posse da terra que goze também das prerrogativas da propriedade.
Mangabeira defendeu o pagamento de uma remuneração específica para pequenos produtores e extrativistas, segundo ele uma espécie de compensação mensal pela vigilância da terra.
A audiência não chegou ao fim. O ministro tinha um compromisso e teve que se retirar, o que irritou alguns parlamentares.
- É uma deselegância isso. Nós também temos compromissos e os deixamos de lado para comparecer aqui e não só para ouvir, mas também para falar - protestou Márcio Junqueira (DEM-RR), ligado ao líder arrozeiro Paulo César Quartiero.
"É bom saber que o senhor tem outra visão", comemora ruralista
O ministro pediu desculpas e comprometeu-se a retornar.
Deputados ligados a fazendeiros e madeireiros, como Giovanni Queiroz (PDT-PA), parabenizaram o ministro:
- O Ministério do Meio Ambiente tem sido omisso e acomodado. Que bom saber que o senhor tem outra visão e pretende tirar a Amazônia do estrangulamento econômico que vive.
- O fundamentalismo está sendo substituído pela inteligência - disse Nilson Pinto (PSDB-PA).
O Globo O PAÍS
POLÍTICA AMBIENTAL
Minc: desmatamento aumentou
Tulio Brandão e Anselmo Carvalho Pinto
Em resposta a Maggi, ministro diz que Mato Grosso é maior responsável por avanço da devastação
- Na próxima segunda, o Inpe vai divulgar dados estatísticos de desmatamento em tempo real. Vai ser um dado ruim, de aumento. E, para variar, mais de 60% em que estado? Em Mato Grosso - disse o ministro.
De acordo com a assessoria do Inpe, o sistema Deter, divulgado mensalmente, é sujeito a imprecisões por não ter resolução suficiente para identificar desmatamentos menores que 25 hectares e sofrer com a influência das nuvens. Nem toda área de corte de árvores é identificada. Segundo o instituto, a possibilidade de observação em Mato Grosso aumentou muito de março para abril, já que apenas 14% da área daquele estado esteve sob nuvens no mês anterior.
O levantamento de desmatamento mensal é feito pelo Inpe desde maio de 2004, com dados do sensor Modis, do satélite Terra/Aqua, e do Sensor WFI do satélite CBERS, de resolução de 250 metros. Segundo o instituto, há uma possibilidade remota de os dados completos do mês de abril serem divulgados amanhã.
Governo de MT estranha dados
No último levantamento do Deter divulgado pelo Inpe, relativo a março, mais da metade dos pontos de desmatamento identificados na Amazônia já estavam em Mato Grosso - 27 de 52. Minc disse ontem, durante entrevista de apresentação da nova secretária do Ambiente do Rio, Marilene Ramos, que Maggi terá que assumir responsabilidades com o presidente Lula. O presidente já teria autorizado Minc a solicitar aos governadores o uso da PM no combate a crimes ambientais.
- Estou chegando agora, não quero criar polêmica. Eu conversei inicialmente sobre o Exército. O ministro Tarso Genro (Justiça) sugeriu o outro caminho (da PM), explicou que era mais simples. Levamos a questão ao Lula, que deu o OK. A partir de agora, o Blairo não deve brigar comigo, e sim com o presidente Lula, que já bateu o martelo - afirmou o novo ministro.
O governo de Mato Grosso reagiu à declaração de Minc sobre o aumento do desmatamento. O secretário-adjunto de Qualidade Ambiental, Salatiel Alves de Araújo, estranhou a divulgação dos dados pelo novo ministro:
- Essas informações são estranhas. Estão totalmente desconexas com a metodologia utilizada pelo Inpe. Estamos averiguando para saber que números novos são esses.
Segundo Araújo, o Inpe não tabulou o desmate dos primeiros meses de 2007, o que impediria comparação com o mesmo período em 2008:
- Ele (Minc) fala em aumento nos primeiros cinco meses do ano, mas maio nem terminou. É estranho.
O governo de Mato Grosso insiste que, ao contrário do que tem sido informado, o desmatamento no estado diminuiu nos últimos cinco anos. Em seu favor, usa os números do Inpe consolidados pelo Prodes, de monitoramento da Amazônia por satélite. Segundo o Prodes, a área devastada no estado caiu de 11.814 km² entre 2003 e 2004 para 2.476 km² entre 2006 e 2007. Os dados são de agosto a agosto.
O secretário também contesta a divulgação pelo ministério de dados do Deter, como dados consolidados:
- O Deter serve para mostrar indícios de desmatamento. O Prodes é o número final, com o qual dá para fazer comparações entre um ano e outro.
O Globo ECONOMIA
YES, NÓS TEMOS ENERGIA
Descobertas a toque de caixa
Ramona Ordoñez e Juliana Rangel
Petrobras anuncia mais óleo no pré-sal em corrida contra o tempo para garantir blocos
APetrobras anunciou ontem mais uma descoberta em águas ultraprofundas na Bacia de Santos, abaixo da camada de sal, numa área batizada de Bem-te-vi. Foi o sexto anúncio desde o ano passado. Segundo uma fonte da estatal, a companhia corre contra o tempo: com só três sondas capazes de perfurar em grande profundidade, precisa confirmar a existência de petróleo ou gás nos sete blocos no pré-sal de Santos antes do vencimento dos contratos de concessão que tem com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A maioria vence até outubro. Os blocos têm de ser devolvidos à ANP, se não houver descobertas até lá.
Em consórcio no qual é operadora e sócia da Shell e da portuguesa Galp Energia, a Petrobras descobriu petróleo de boa qualidade, em um poço no bloco BMS-8, a 250 km da costa de São Paulo e a uma profundidade total de 6.773 metros. A estatal não divulgou estimativas de reservas.
Segundo a fonte, a Petrobras identifica indícios de petróleo e desloca a sonda para outro bloco, ganhando mais prazo para apresentar à ANP seu plano de avaliação. Um dos fatores importantes na descoberta de ontem é que o petróleo está a mais de 6 mil metros, contra os 5 mil de Tupi, Júpiter e Carioca - quanto a este, o presidente da ANP, Haroldo Lima, declarou mês passado que as reservas seriam de 33 bilhões de barris, o que foi desmentido pela Petrobras.
- Descemos a uma profundidade maior e a estrutura de petróleo continua, é bem extensa - disse a fonte.
Descobertas podem formar único campo
Já se descobriram indícios também no BMS-21 (Caramba) e no BMS-10 (Parati). Uma das sondas está indo para a área Yara, no BMS-11, onde fica Tupi. Outra está em Carioca, e a terceira vai para o BMS-24, onde fica Júpiter. No BMS-22, operado pela Exxon em consórcio com a Petrobras, ainda não foram feitas descobertas.
Cogita-se que todas as áreas do pré-sal de Santos formam um único campo, com até 50 bilhões de barris de óleo recuperável. Segundo o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da Coppe/UFRJ, acreditava-se que o maior campo do mundo - Gawar, na Arábia Saudita - fossem vários campos em separado e, depois, constatou-se que era um só.
- Como se trata de uma área contígua a Tupi, qualquer coisa que seja descoberta no entorno vai deixar o mercado animado - diz o analista Felipe Cunha, da Brascan.
As ações preferenciais da Petrobras (PN, sem direito a voto) fecharam a R$52,51, com alta de 1,64%. As ações ordinárias (ON) subiram 1,3%, para R$62,30. Em sete dias, as ações PN avançaram 13,41% e as ON, 12,53%.
A expectativa do anúncio da descoberta, feita após o fechamento do mercado no Brasil, impulsionou as ações de parceiras da Petrobras no exterior. Em Nova York, as ações da Shell avançaram 2,51%, enquanto as ADRs da Petrobras, 1,46%. Em Portugal, as ações da Galp Energia subiram 3,9%. Anteontem, o presidente-executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, afirmara, ao anunciar lucros acima do esperado, que os desdobramentos das perfurações em Bem-te-vi seriam anunciados em breve.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem que a Petrobras seja "o motor do desenvolvimento brasileiro", comprando máquinas e insumos do mercado nacional.
- A Petrobras vai crescer muito, e eu quero que os navios, as plataformas e as sondas sejam todos produzidos aqui, gerando mais empregos e mais renda - disse Lula, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), segundo participantes.
Durante o dia, a Petrobras chegou a superar a General Electric (GE) como quinta maior empresa do mundo, com valor de mercado de US$313,8 bilhões. A GE caiu 2,3% em Nova York, o que reduziu seu valor para US$308,9 bilhões. Mas no fechamento da Bovespa, a estatal voltou a US$307,8 bilhões.
O Globo ECONOMIA
BB negocia compra do banco paulista Nossa Caixa
Objetivo da instituição é liderar mercado em São Paulo, onde ocupa o 4º lugar. Analista estima operação em pelo menos R$9 bi
Aguinaldo Novo, Henrique Gomes Batista e Geralda D
BRASÍLIA e SÃO PAULO. Buscando desbancar a concorrência no mercado paulista - no qual, apesar de líder nacional, amarga a quarta posição -, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem à noite que iniciou negociações para a compra da Nossa Caixa. O banco, controlado pelo governo de São Paulo, tem ativos de R$47,431 bilhões - que renderam lucro líquido de R$114,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, 31% a mais do que no mesmo período de 2007 - e 5,7 milhões de clientes. A operação depende de aval da Assembléia Legislativa de São Paulo.
A Nossa Caixa é vista no mercado como "a grande jóia" entre os bancos estaduais. Seu principal trunfo são as receitas provenientes da administração da folha de pagamento do governo paulista, cujo direito foi comprado em 2007 por R$2 bilhões.
O presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, estima que o BB teria de gastar na operação entre 3 e 3,5 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa (R$2,9 bilhões), o que corresponderia a pelo menos R$9 bilhões.
A intenção do negócio, sem prazo para conclusão, foi informada em fato relevante enviado à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- Essa postura faz parte de uma estratégia adotada desde o ano passado, com as negociações para a incorporação do Besc (banco estadual catarinense) e do BRB (do governo do Distrito Federal). Mas também tivemos outras ações, como abertura de uma diretoria de cartão de crédito, que nos possibilita oferecê-los aos não-clientes, criação do financiamento imobiliário e reforço em nossa presença no financiamento de veículos - afirmou Antonio Lima Neto, presidente do BB.
Segundo ele, a aquisição levaria o BB a disputar a liderança do mercado paulista:
- O estado é a arena bancária mais competitiva do país.
Na semana passada, o BB anunciou que absorverá o Banco Popular, subsidiária criada em 2003 para atender a baixa renda e que nunca obteve lucros.
Segundo Lima Neto, as tratativas iniciais foram técnicas e sem conversas diretas com o governador José Serra (PSDB).
O Globo O MUNDO
Líbano: acordo põe fim a crise
Hezbollah terá poder de veto em decisões do governo e lei eleitoral será modificada
TEL AVIV. Após seis dias de diálogo em Doha, no Qatar, representantes do governo libanês e da oposição, liderada pelo grupo xiita Hezbollah, chegaram a um acordo para pôr fim a 18 meses de crise que deixaram o Líbano à beira de uma guerra civil. Numa negociação mediada pela Liga Árabe, o documento final prevê reformas eleitorais e a nomeação de um novo presidentes, além de dar poder de veto à oposição. O acordo é considerado por analistas uma vitória do Hezbollah após uma violenta demonstração de força que paralisou o país há duas semanas.
O Parlamento libanês convocou uma sessão para domingo para nomear o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, presidente, cargo vago há seis meses. A coalizão de maioria sunita que sustenta o premier, Fuad Siniora, formará um governo de união nacional.
Coalizão no poder terá 14 dos 30 ministros, oposição 11
O documento determina que a coalizão 14 de Março vai manter 14 das 30 pastas do Gabinete e o poder de escolher o premier. A oposição fica com 11 ministros, e outros três serão escolhidos pelo presidente. O acordo também prevê a discussão de novas leis eleitorais que garantam maior representatividade aos 18 grupos étnicos e religiosos do Líbano nas próximas eleições, ano que vem. Em troca, os opositores garantiram que não vão recorrer às armas em caso de novas divergências políticas.
Irã e Síria, que apóiam o Hezbollah, elogiaram o acordo. Mas analistas temem que as concessões feitas ao grupo podem afetar a credibilidade do 14 de Março, e ainda há ceticismo quanto à estabilidade do país. Há poucos dias, o líder do partido Mustaqbal, Saad Hariri, garantiu aos libaneses não estar disposto a revogar as medidas tomadas contra o grupo radical. Ontem, horas após a assinatura da resolução, Hariri comemorou, afirmando que o entendimento era uma vitória que colocaria o Líbano numa nova era.
O país está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, pró-Síria, deixou o cargo. A crise se agravou há duas semanas, quando o governo anunciou medidas para investigar o Hezbollah. O grupo respondeu com protestos que se transformaram em confrontos entre milícias governistas e oposicionistas em diversos pontos do Líbano. Pelo menos 65 pessoas morreram. (R.M.)
Sunday, May 11, 2008

Uma solenidade amanhã, terça-feira, marca a formatura de 108 pessoas que foram capacitadas através do projeto social Se Essa Rua Fosse Minha, desenvolvido pela Prefeitura Municipal. O ato acontece a partir das 19h, no anfiteatro Salomão Baruki.
Idealizado pelo prefeito Ruiter Cunha, o projeto, em Corumbá, está unindo o útil ao agradável. Além de proporcionar urbanização dos bairros, está gerando renda e capacitando o trabalhador corumbaense. Ele é desenvolvido com recursos do Fundo Municipal de Investimento Social (FMIS).
A capacitação está acontecendo na cidade, através de uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Após isto, os formandos, em forma de mutirão, trabalham na fabricação e pavimentação das alamedas existentes em suas comunidades. Além disso, são beneficiados com uma bolsa de R$ 280,00, durante três meses.
Para o coordenador do projeto, Luis Alves, o Se Essa Rua Fosse Minha “já é um sucesso. Tivemos a oportunidade de capacitar todas estas pessoas e, se necessário, já temos profissionais habilitados para levar este mesmo benefício a outros bairros da cidade”.

Felipe Massa vence corrida e mantém domínio no GP da Turquia
Lewis Hamilton pressiona e ganha segundo lugar na excelente estratégia de três pit stops articulada pela McLaren
Felipe Massa fez uma ótima corrida e venceu o GP da Turquia, disputado neste domingo, em Istambul. Com isso, o brasileiro da Ferrari chegou à sua terceira vitória em quatro corridas neste circuito e assumiu a vice-liderança do Mundial de Pilotos, apenas sete pontos atrás de Kimi Raikkonen, terceiro colocado na prova.
Lewis Hamilton teve um desempenho excelente e andou no limite durante toda a corrida. O piloto da McLaren fez três paradas nos boxes, uma a mais do que os dois pilotos da Ferrari. Com isso, ele assgurou a segunda posição, mesmo com a forte pressão de Raikkonen nas voltas finais. Robert Kubica, da BMW Sauber, chegou na quarta posição, uma à frente de Nick Heidfeld, seu companheiro de equipe.
Fernando Alonso, da Renault, fez uma boa corrida após o abandono no GP da Espanha e chegou em sexto na Turquia. Mark Webber, da RBR, foi o sétimo e Nico Rosberg, da Williams, completou os pilotos que chegaram na zona de pontuação.
Big brother urbano
Mercado de câmeras de segurança cresce a uma taxa de 13% ao ano. Por mês, são vendidas e espalhadas pelo país cerca de 11,5 mil unidades. Conflito entre maior segurança e menor privacidade preocupa Co
Rio de Janeiro — 8 de abril. Imagens do circuito interno de um supermercado em Guarulhos, na Grande São Paulo, mostram Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jabotá, os dois filhos do casal e a pequena Isabella saindo do local horas antes de a menina ser encontrada morta no jardim de casa, depois de ser jogada do 6º andar. A imagem foi usada no processo. Namorados que freqüentam o Parque Birigui, em Curitiba, tiveram que descobrir outro ponto para paquerar. Um sistema de monitoramento passou a vigiar a área com câmeras que fazem movimentos giratórios e captam imagens até à noite. 18 de abril, Belo Horizonte. Ladrão assalta uma lan house e leva os míseros R$ 10 do caixa. Tudo registrado pela câmera do circuito interno de TV.
16 de março. Pedágio na entrada de Arapongas, no oeste do Paraná. Um policial rodoviário se nega a pagar e fura a fila. A câmera flagra tudo e ele acaba punido. 14 de maio de 2007. Imagens da câmera de segurança do prédio onde morava mostram a jovem Isabela Tainara, 14 anos, saindo de casa apenas com os livros e cadernos que usaria na aula de inglês imadiatamente antes de ser seqüestrada e morta — as cenas serviriam para ajudar a polícia a descartar a possibilidade de que a menina tivesse simplesmente fugido de casa. 17 de julho de 2007. Câmeras de segurança do aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, mostram o piloto de um avião da TAM — que transportava 186 pessoas — tentando arremeter antes de bater contra o galpão da TAM Express e se incendiar na pista principal do terminal. Um flagrante terrível do maior acidente da aviação brasileira.
O medo da violência e as facilidades tecnológicas provocaram um boom na chamada vigilância eletrônica, que serve para proteger comerciantes, vigiar as ruas e até ajudar na solução de crimes. A sensação que se tem é a de que, qualquer que seja o lugar, estamos sendo observados. Não é à toa. A cada mês são vendidas cerca de 11,5 mil câmeras de monitoramento no país, segundo cálculos das empresas de segurança eletrônica. Estima-se que, hoje, 750 mil olhos eletrônicos vigiem os brasileiros, com lentes zoom que ampliam uma imagem até 400 vezes.
O problema é que falta regulamentação ao setor, deixando o big brother urbano nacional ao gosto do freguês. Na época do “Sorria, você está sendo filmado”, esteja você no trabalho, num shopping ou parado na esquina, qualquer gesto, uma intimidade com o parceiro ou uma brincadeira com o filho podem estar sendo vigiados — e gravados em tempo real — por olhares não autorizados. De olho nesse vácuo, o Congresso começou a discutir até onde o direito à proteção da propriedade esbarra no principio da privacidade.
Crescimento veloz
Pública ou privada, a segurança eletrônica funciona sem regras, de acordo com os limites definidos pelos donos dos equipamentos e por sua finalidade. Existem atualmente 450 mil imóveis monitorados por sistemas eletrônicos de alarmes no país. E o número não pára de crescer. Nos últimos nove anos, esse mercado vem crescendo com taxas médias de 13% ao ano —15%, no ano passado. Governos também apostam nos espiões urbanos para diminuir a criminalidade. Em São Paulo, o poder público aposta no flagrante do olhar eletrônico para combater a criminalidade. Só no ano passado, as ocorrências diminuíram 17% no Centro.
Em Belo Horizonte, o Projeto Olho Vivo, parceria da Câmara de Dirigentes Lojistas com o governo do estado e a prefeitura, espalhou câmeras pela cidade, experiência que já está sendo copiada por municípios do interior. Nos três primeiros anos de existência, o Olho Vivo foi responsável pela redução de 40% da criminalidade em BH. No Rio, um projeto de monitoramento por câmeras foi iniciado em Copacabana, em 2003, com aparelhos espalhados pelo bairro e algumas unidades móveis que ficam na área da orla. O sistema está ligado a um moderno programa de identificação de placas de carros e futuramente poderá dar todos os dados de uma pessoa quando esta estiver sendo filmada. Já são 220 câmeras em toda a cidade.
Para suprir a falta de policiais, Maceió quer instalar câmeras ao longo da orla, o que já gera protestos de quem gosta de passear sozinho pelo calçadão. Em Salvador, os 110 equipamentos utilizados no carnaval permanecerão em alguns trechos dos percursos e o restante será removido para os bairros com maior incidência da violência. Curitiba decidiu combater com 20 câmeras o tráfico de drogas na região batizada de “Cracolândia”, no Centro, onde é freqüente a venda e consumo de crack.
Embora os projetos ainda estejam sendo discutidos, ninguém tem mais dúvidas de que é preciso organizar a bisbilhotice, inclusive a oficial, para que não terminemos como no livro 1984, do escritor inglês George Orwell (1903-1950), criador do mito do Big Brother. O livro, de 1949, sugere que a privacidade e a dignidade humana possam ser completamente destruídas pela vigilância eletrônica permanente. Quem viver, verá.
Em expansão
O mercado brasileiro de segurança eletrônica em números:
8 mil empresas de sistemas eletrônicos de segurança
450 mil imóveis monitorados por sistemas eletrônicos de alarmes no país
400% percentual de crescimento do número de câmeras instaladas no país de 2000 para cá . Us$ 1,2 bilhão faturamento do setor em 2007 — crescimento de 15% em comparação ao ano anterior
Um setor sem regras
“A questão central é: o coletivo deve prevalecer sobre o individual? Hoje não existem regras que impeçam que câmeras de vigilância sejam usadas indevidamente e suas imagens cedidas ou até comercializadas”, aponta uma mulher que entende de circuitos fechados de TV e sistemas de controle de acesso, Selma Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica (Abese), entidade representativa de um setor que movimentou no ano passado US$ 1,2 bilhão (pouco menos de R$ 2 bilhões).
Diversos projetos estabelecem pela primeira vez regras para empresas prestadoras e contratantes dos serviços de segurança privada e regulamentam o setor de vigilância eletrônica. O mais avançado é o projeto de lei do deputado Michel Temer (PMDB-SP), que tramita em caráter conclusivo na Câmara, atualmente na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. O projeto diferencia, de um lado, as tradicionais empresas de vigilância de bancos e transporte de valores e, de outro, as empresas de monitoramento eletrônico. Elas seriam autorizadas e fiscalizadas pelo Ministério da Justiça ou pelas secretarias estaduais de Segurança Pública. Depois que for aprovado, o projeto ainda terá que ser regulamentado.
“Mundo seguro é um mundo com menos privacidade. É um paradoxo do próprio direito. Quanto mais você protege a coletividade, menores as liberdades individuais”, admite a advogada Patrícia Peck Pinheiro, especialista em direito eletrônico. Sem regras, existem câmeras para todos os gostos, de sistemas de controle de tráfego em vias públicas e rodovias até o monitoramento em locais de elevada concentração de público. E nada disso existia quando a Lei 7.102, de 1983, que regulamenta o setor, foi feita. Na época, segurança privada se resumia ao trabalho das empresas de transporte de valores e outros serviços de segurança armada. Talvez seja preciso regulamentar também, acreditam empresários do setor, o uso indiscriminado de câmeras camufladas — as microcâmeras e câmeras ocultas usadas até em matérias jornalísticas. Nada disso hoje tem amparo legal.
Correio Braziliense INFRA-ESTRUTURA
Energia extra vai para o Uruguai
Os 300 megawatts/médios (MW/médios) de energia que o Brasil começa a exportar hoje para a Argentina serão repassados ao Uruguai, que está em situação mais crítica. O pedido foi feito pelos argentinos e recebeu sinal verde do governo brasileiro. Atualmente, o Brasil vende somente 72 MW/médios de energia para o Uruguai, que é a capacidade máxima da linha de transmissão que interliga os dois países.
A quantidade de energia que será exportada para a Argentina — produzida por usinas termelétricas movidas a óleo diesel e combustível — poderá chegar a 800 MW/médios já no fim da próxima semana, conforme anunciou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deverá se reunir nos próximos dias para fazer uma nova avaliação da situação de abastecimento brasileira e poderá aumentar o teto para o máximo possível de 1.500 MW/médios.
A exportação de energia será possível porque na última segunda-feira foram desligadas definitivamente as termelétricas movidas a óleo combustível e a óleo diesel, que estavam em funcionamento no Brasil desde dezembro do ano passado, e geravam entre 2.200 e 2.500 megawatts médios (MW/médios). Ainda estão em funcionamento as térmicas movidas a carvão e a gás natural, com capacidade de 3.600 MW/médios. Todas foram acionadas no início do ano, quando os reservatórios das hidrelétricas chegaram a nível crítico.
Correio Braziliense AUDITORES
Mais 20 dias para liberar cargas retidas
Luciano Pires
Com a suspensão da greve dos auditores-fiscais da Receita Federal a situação em alguns portos brasileiros começou a se normalizar ontem. Apesar do sindicato da categoria ter acertado o retorno oficial só a partir de segunda-feira, uma parte dos servidores retomou suas atividades de imediato. A previsão é que em duas semanas os gargalos criados pela paralisação de mais de 50 dias desapareçam.
No Porto de Santos, o maior do país, mercadorias que estavam acumuladas desde março entraram em ritmo mais acelerado de liberação. Ronaldo Forte, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Santos, disse que em 20 dias tudo estará resolvido. “A paralisação já estava perdendo forças nas últimas semanas”, afirma. O desafio agora, completou, é eleger prioridades. “Todo mundo tem carga para liberar, tem de ser para ontem, é urgente. Aqui em Santos estamos como em uma fazenda: a porteira fechou e agora a boiada quer sair toda de uma vez”, brinca.
Em Itajaí (SC) também houve estrangulamento no fluxo de entrada e saída de produtos. Superlotado, o porto bateu recorde de ocupação média diária nos terminais. Portos-secos, localizados na fronteira do Brasil com vizinhos da América do Sul, devem aliviar as filas de caminhoneiros em 10 dias. Transportadoras rodoviárias, atacadistas e o varejo reclamam de prejuízos.
Os auditores que atuam em Foz do Iguaçu (PR) voltaram à rotina depois de aderirem em massa à paralisação. O sindicato local informou que acompanhará de perto as negociações entre o governo federal e o comando de greve até 1º de junho. Caso não haja acordo nos pontos que restam da pauta de reivindicações, os trabalhadores prometem voltar a cruzar os braços. Ontem, 750 caminhões estavam estacionados na Estação Aduaneira do Interior (Eadi), em Foz. Quase 600 aguardavam para entrar no terminal.
Pela proposta do Ministério do Planejamento, os auditores terão, até 2010, reajuste de 40% nos salários inicial e final. O governo concordou ainda em retirar do acordo os itens que modificavam o sistema de avaliação de desempenho para promoção e progressão na carreira. Os auditores tentam agora convencer a Secretaria de Recursos Humanos (SRH) a não descontar os dias parados. O ministro Paulo Bernardo disse, no entanto, que a punição está mantida.
Correio Braziliense PAINEL
Black-tie beneficente
No Rio de Janeiro para a cerimônia de comemoração da vitória na Segunda Guerra Mundial com a presença do vice-presidente, José Alencar, do governador, Sérgio Cabral, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim (foto), Mariza Campos Gomes da Silva aproveitou para convidar o governador e a mulher, Adriana Ancelmo Cabral, para participar da festa black-tie no Palácio Itamaraty no dia 30, pelos 200 anos da chegada da família real ao Brasil. A coordenadora-geral da festa, Maria Inês Nogueira, recebeu ligação de Mariza, ainda no Monumento aos Pracinhas, depois da cerimônia. Ouviu a voz do governador confirmando a presença na festa, cuja renda será revertida para a construção do Hospital do Câncer Infantil e de Especialidades Pediátricas, que tem na mulher do vice-presidente a grande madrinha e lutadora pela concretização do projeto que há 30 anos faz parte do sonho de médicos e da população de Brasília e do Brasil Central.
Folha de São Paulo Polícia investiga venda de CDs com fotos de vítimas de naufrágio no AM
RENATA BAPTISTA
A Polícia Civil de Manacapuru (84 km a oeste de Manaus) apreendeu cerca de 200 CDs com fotos dos corpos das vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales, ocorrido no último domingo.
Além dos CDs, a polícia também apreendeu gravadores, filmadoras e computadores, que estão sendo submetidos a perícia. Ninguém foi detido.
De acordo com o delegado Antônio Rodrigues, se a denúncia for confirmada, o responsável poderá ser preso por vilipêndio a cadáver (tratar cadáver de forma desrespeitosa). A pena prevista no Código Penal para o crime varia de um a três anos de detenção, e multa.
"As famílias das vítimas também podem processar civilmente quem fez e vendeu o CD", disse Rodrigues. De acordo com denúncias feitas à polícia, os CDs estavam sendo vendidos por valores entre R$ 20 e R$ 25.
Buscas
As buscas pelos corpos das vítimas do naufrágio, feitas nos rios Solimões e Amazonas, foram encerradas hoje, no final da tarde.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Antônio Dias dos Santos, disse que está sendo feito um trabalho de orientação com a população ribeirinha e pescadores para que informem eventuais ocorrências a uma das três bases que ficarão de plantão nos rios.
Ao todo, 46 corpos de vítimas do naufrágio foram localizados até hoje. A estimativa é que ainda haja de 10 a 15 desaparecidos. "A cada hora que passa é mais remota a possibilidade de encontrarmos algum corpo, por isso vamos retirar as equipes da água", disse Santos.
A embarcação de madeira não era registrada na Capitania dos Portos e tinha capacidade para 50 pessoas. Sobreviventes disseram à polícia que havia até 150 passageiros no barco. O dono da embarcação morreu na tragédia.
Folha de São Paulo Países da América do Sul se reúnem para definir estratégia na Antártida
O Brasil e mais seis países sul-americanos que desenvolvem estudos no continente antártico vão se reunir na próxima semana para definir estratégias de pesquisas na Antártida.
No encontro, que acontece nos dias 12 e 13 de maio no Rio de Janeiro, representantes de Brasil, Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela vão desenvolver uma oficina de trabalho a fim de estimular a interação entre os cientistas dos sete países.
Segundo o ministério da Ciência e Tecnologia, que organiza o encontro, o evento terá a participação de 50 pessoas ligadas às áreas científica, de logística e financiamento. Os grupos de cada área vão discutir a situação atual dos países. A intenção é elaborar um documento final, de onde poderá sair uma estratégia para otimizar a integração.
A base de pesquisas brasileira no continente antártico é a Estação Antártica Comandante Ferraz, administrada pela Marinha do Brasil.
Construída na década de 80, a estação realiza pesquisas de monitoramento ambiental e atmosférico, além de estudos sobre a repercussão das mudanças que vêm ocorrendo no continente.
Jornal de Brasília Ministra diz que não se pode governar Amazônia só com ações de comando e controle
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse hoje (9) que as tensões e os conflitos ocorridos na Amazônia não podem ser resolvidos apenas por meio de ações das Polícias Federal, Militar e Ambiental e pelo controle do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“O que está acontecendo na Amazônia é um processo de retirada da ilegalidade com a firme decisão de que não se vai retroceder em relação às medidas. Mas não temos como governar 23 milhões de seres humanos [que vivem na região] apenas com ações de comando e controle”, avaliou.
Em entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília, a ministra afimrou que o “esforço” dos Ministérios do Meio Ambiente e da Justiça já levou à cadeia 665 pessoas acusadas de praticar atividades ilegais na Amazônia, além de desmontar 1,5 mil empresas e inibir 66 mil propriedades envolvidas com grilagem na região. “Isso gera um tensionamento muito forte”, acrescentou.
Marina Silva destacou também a importância de medidas como o Plano de Combate ao Desmatamento – uma das ações previstas no Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado ontem (8) pelo governo federal – ,que prevê o combate às políticas ilegais e o apoio às práticas produtivas sustentáveis.
Em relação ao papel atribuído à Amazônia diante das mudanças climáticas, a ministra lembrou que 50% da chuva na região é produzida pela própria floresta, “que presta um serviço ambiental de equilíbrio ao país e ao mundo”.
Ao avaliar a pecuária praticada na Amazônia, a ministra avaliou como "antiprodutiva" a criação de gado extensiva (por hectare), sobretudo se comparada ao sistema de sustentabilidade proposto pelo Plano Amazônia Sustentável. “As medidas estão sendo tomadas exatamente para que se tenha uma inversão da lógica anterior.”
Jornal do Brasil Esforço para salvar museu
Registros da Segunda Guerra podem ser perdidos
Felipe Sáles
As batalhas sem fim que ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) travam por sua história ganhou ontem novo fôlego, mas os tambores da guerra ainda estão longe de cessarem. Depois de quase fecharem ontem portas do Museu da FEB, que guarda registros da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o Exército brasileiro recrutou oito militares para atuarem na administração do museu e, até o fim deste mês, decidirá se vai haver ou não ajuda financeira.
Foram mais de três horas de reunião entre a cúpula do Exército e o presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB (Anvfeb), coronel Hélio Mendes, de 83 anos – o mais jovem veterano. Os ex-combatentes fechariam as portas hoje devido às dificuldades financeiras.
Mensalidade de apenas R$ 20
A Anvfeb, que já contou com 14 mil sócios, mantém o museu com o apoio de cerca de 700 sócios, viúvas e familiares de veteranos mortos. Apenas em torno de 500, porém, contribuem com a mensalidade de R$ 20 para manter o museu, o mausoléu e catacumbas nos cemitérios do Caju e São João Baptista, além da assistência jurídica aos veteranos e familiares.
– Não vamos aceitar desmembramentos da nossa casa – afirma Mendes. – Ou mantém tudo como está ou as portas serão fechadas.
O coronel estipula em R$ 25 mil mensais a verba necessária. Além do próprio Exército, Mendes conta que já pediu ajuda "a Deus e o mundo" para não ter de fechar as portas. Governo federal, estadual e municipal, além do próprio Exército, já prometeram ajudar os veteranos. Uma das últimas respostas veio da Firjan, que argumentou restrições orçamentárias.
Entre as relíquias históricas guardadas na sede estão uma bandeira e uniforme de um soldado nazista – com o detalhe de uma caveira no chapéu – e o uniforme do Marechal Mascarenhas de Moraes usado na Segunda Guerra. Apesar do marechal nunca ter levado um tiro, sua roupa já possui 63 furos, corroída por traças ao longo de anos de abandono da história.
Jornal do Brasil Colômbia e Equador buscam aproximação
Os vice-chanceleres do Equador e da Colômbia se encontram em Lima em busca de uma reaproximação diplomática. Iniciativa da OEA, o encontro visa a restabelecer as relações diplomáticas rompidas depois da ação militar da Colômbia contra um acampamento da guerrilha Farc em território equatoriano, qualificado pela comunidade internacional como um ato de violação da soberania do Equador. O dirigente rebelde Raúl Reyes foi morto na operação.
O Estado de São Paulo Medvedev alerta contra 'ambições irresponsáveis'
Novo líder russo faz crítica velada aos EUA durante desfile militar
Ap e The Washington Post
Numa clara demonstração de força, a Rússia fez ontem seu primeiro grande desfile militar desde 1990, com direito à participação de tanques e mísseis. Na primeira cerimônia como presidente russo, Dmitri Medvedev fez um alerta ontem sobre “ambições irresponsáveis” de alguns países, numa aparente crítica aos EUA. Desde o começo de 2007, quando Washington anunciou planos para instalar um escudo antimíssil na Europa, as relações entre os dois países se deterioraram.
No desfile de ontem, para celebrar a vitória dos aliados na 2ª Guerra, 8.000 soldados marcharam pela Praça Vermelha, ao lado de centenas de veículos militares.
Segundo Medvedev, as Forças Armadas russas estão reconquistando “sua força e poder”. Ao lado de seu antecessor e atual premiê, Vladimir Putin - que no desfile do ano passado comparou os EUA à Alemanha nazista -, Medvedev fez um duro discurso. “Não devemos permitir o desrespeito às leis internacionais”, afirmou o presidente russo, criticando ainda “intenções de ingerência e, especialmente, a de redesenhar fronteiras”. O apoio dos EUA em fevereiro à independência de Kosovo da Sérvia - aliada de Moscou - irritou a Rússia.
Medvedev alertou ainda sobre o perigo de um conflito armado. “A história nos mostra que os conflitos armados não começam sozinhos. Eles são criados por ambições irresponsáveis que atropelam os interesses dos países e continentes inteiros, os interesses de milhões de pessoas.”
A reconstrução do poderio do Exército russo, que entrou em colapso após o fim da União Soviética, em 1991, foi uma das prioridades do governo de Putin, que aumentou em oito vezes o orçamento anual das Forças Armadas (hoje cerca de US$ 40 bilhões). Nos últimos meses, a Rússia retomou as patrulhas aéreas na região, além de ameaçar apontar mísseis para a Ucrânia.
A demonstração de força, porém, parece não ter impressionado alguns países. “Se eles querem pegar aqueles equipamentos velhos e levá-los para dar uma volta, que fiquem à vontade”, disse na segunda-feira, o assessor de imprensa do Pentágono, Geoff Morrell.
O Estado de São Paulo Tenente da PM vai para força da ONU em Kosovo
Pela primeira vez, policial paulista reforçará comando internacional
Camilla Rigi
Há 15 anos, a tenente Denise Pereira Pinto, da Polícia Militar de São Paulo, acompanha pelo noticiário e admira o trabalho das missões da Organização das Nações Unidas (ONU) em países com conflitos internos. Hoje, aos 40 anos, ela prepara as malas para deixar a capital paulista e tomar parte em uma das missões de paz da ONU, em Kosovo. “É uma felicidade muito grande. E uma forma de ajudar outras pessoas”, afirma.
A tenente Denise é a primeira mulher da Polícia Militar de São Paulo a integrar uma força de paz. Amanhã, ela e outros 19 policias brasileiros embarcam para Kosovo. Ontem, o dia foi de homenagens no 34º Batalhão da PM, no centro de São Paulo, e despedidas dos colegas e da família. “Agora temos a internet e dá para manter o contato com todos e tranqüilizar a família.” Denise confessou que a sua mãe, Maria Neuza Castelli Pereira Pinto, de 66 anos, ficou um pouco preocupada quando soube da viagem, mas depois a apoiou. “O nosso dia-a-dia aqui também não é muito fácil”, considera.
A preparação para conseguir uma vaga no grupo seleto começou em 2001. “A primeira vez que tentei não passei, mas insisti”, conta. O teste de seleção foi realizado sob a coordenação e responsabilidade do Exército Brasileiro em julho de 2007, no Recife. Denise passou por provas de domínio do idioma inglês, uma avaliação psicológica, testes de habilidade para dirigir veículos 4x4 e uma prova de tiro. A boa notícia com a aprovação chegou em fevereiro deste ano.
Quando fez os testes, a tenente não sabia para onde poderia ir. Eram quatro destinos possíveis - Kosovo, Haiti, Sudão e Timor Leste. Desde que soube que seria designada para Kosovo, uma nova fase do processo começou: a busca por informações sobre os conflitos no território, costumes e clima. “Conversei muito com um policial do Rio que estava lá. Eu estava com medo do frio, mas, como vou chegar na primavera, acho que não terei muito problema.” Denise ficará um ano fora do País.
A tenente ingressou na Polícia Militar em 1987, como soldado feminino. Em 1993 entrou para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco e dois anos depois saiu como Aspirante Oficial. “Quero colocar em prática lá tudo o que aprendi na polícia aqui”, diz.
Desde 1940, a ONU envia forças de paz para zonas de conflitos, mas somente na década de 1960 começaram a ser enviadas também forças policiais. Esses profissionais fazem serviços de preservação e manutenção da ordem pública. Além disso, os oficiais auxiliam no transporte de presos, na assistência às mulheres vítimas de violência, no recadastramento de famílias e refugiados e na escolta de autoridades.
O Globo Nobre liderança
As fontes renováveis já correspondem a 46,4% da matriz energética brasileira, enquanto no mundo essa média não passa de 12%. Considerando-se apenas os países ricos, a participação das fontes renováveis cai para 8% na matriz energética. Esse quadro se deve principalmente ao aproveitamento da energia das hidrelétricas e à cadeia produtiva do etanol, que, no ano passado, passou a representar 16% da matriz, ficando atrás apenas do petróleo e seus derivados (36,7%). Embora a lenha e o carvão vegetal também estejam entre as fontes renováveis, o Brasil vem dando uma contribuição expressiva no uso de energia limpa.
Com os ganhos de produtividade do setor e o aproveitamento da biomassa para geração de energia elétrica (estima-se que o potencial seja equivalente à capacidade de uma Itaipu), a contribuição do setor sucroalcooleiro crescerá ainda mais, de modo que, provavelmente no início da próxima década, as fontes renováveis podem vir a responder por mais de 50% da matriz energética brasileira. Isto significará mais empregos, renda, recolhimento de impostos no campo, e, principalmente, menos impacto ambiental.
Não deixa de ser uma lição para o mundo que o consumo de etanol no Brasil já supere o da gasolina, combustível derivado do petróleo. E, graças ao álcool, o consumidor brasileiro não sentiu no bolso todo o forte impacto da alta das cotações do petróleo no mercado internacional.
Não está longe o dia em que outros mercados consumidores vão se incorporar ao uso do etanol brasileiro, originário da cana-de-açúcar.
O Globo Chefe de Polícia critica ONGs de direitos humanos
Para delegado Gilberto Ribeiro, entidades são parciais e não investigam se houve realmente violência policial
Jorge Antonio Barros e Vera Araújo
O chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, fez duras críticas às entidades de defesa dos direitos humanos, acusando-as de serem parciais. Segundo ele, essas organizações não verificam se houve realmente violação dos direitos. Gilberto disse que nunca foi procurado por elas para discutir o assunto fora dos momentos de crise, quando há mortos em confrontos nas operações policiais. A ONG Justiça Global contradisse o delegado, alegando nunca ter sido recebida por ele.
- Elas não se colocam de forma isenta. Há apenas a necessidade de fazer um discursos dizendo que a polícia violou os direitos humanos. Não há um cuidado para saber se de fato houve violação. Fala-se muito em direitos humanos dos criminosos e se esquece dos direitos humanos da população e, especialmente, dos policiais, que são caçados e executados com muita freqüência. Não se vê uma única manifestação de apoio às famílias desses policiais que morrem em defesa da sociedade - criticou o delegado.
Ribeiro disse que a polícia está de portas abertas para discutir o tema. Em junho de 2007, quando confrontos no Complexo do Alemão terminaram com a morte de 19 pessoas apontadas por policiais como bandidos, um integrante da ONU procurou a Chefia de Polícia exigindo explicações. Segundo Ribeiro, o representante questionou a conduta da polícia.
Justiça Global diz que nunca foi chamada pela polícia
Ao ser perguntado sobre o aumento no número de autos de resistência, Ribeiro alegou que, ao longo dos anos, não houve uma política de enfrentamento como a atual:
- Se você realiza mais operações, é evidente que o número de confrontos cresce e aumentam os autos de resistência. Em nenhum lugar do mundo existe esta geografia daqui. O estado tem o dever de entrar em todas as áreas para dar segurança à população. Se os criminosos nos rechaçam, isso nos obriga a agir. Ao longo destes anos, percebemos que, quando não há enfrentamento, não há baixas.
A diretora executiva da ONG Justiça Global, que trabalha com proteção e promoção dos direitos humanos, Sandra Carvalho, afirmou que sua entidade nunca foi chamada pelo governo para discutir o assunto, embora sempre tenha procurado o diálogo:
- Estamos cansados de ouvir esse discurso por parte da polícia. O governador, enquanto candidato, disse que respeitaria os direitos humanos, que era contra os caveirões e que segurança não se fazia com matança. A Justiça Global nunca foi recebida por ele ou por representantes da segurança.
Para a diretora, o fato de a ONG denunciar as violações dos direitos humanos, principalmente nas comunidades pobres, tem incomodado as autoridades da área de segurança.
- Estão tentando tirar a nossa legitimidade. É fato: houve aumento no número de autos de resistência e diminuição das prisões e da apreensão de armas. É uma segurança pública baseada numa política de extermínio. A gente se preocupa com os policiais, sim. Por isso, estamos preocupados com o planejamento inteligente das operações, sem matança indiscriminada.
O Globo Nostalgia soviética em Moscou
Blindados e mísseis participam de desfile pela 1ª vez desde o fim da URSS
Vivian Oswald
MOSCOU. Pela primeira vez após o colapso da URSS em 1991, blindados e mísseis cruzaram a Praça Vermelha para comemorar a vitória sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial. Este ano, a tradicional parada militar do Dia da Vitória teve proporções nunca vistas na Rússia pós-soviética. A grandiosidade foi proporcional à imagem que o ex-presidente Vladimir Putin e seu sucessor, Dmitri Medvedev, querem passar do país para o resto do mundo.
No início da madrugada, 111 tanques de guerra e caminhões com armamento - como o novo míssil balístico intercontinental Topol-M - se posicionaram na principal avenida da cidade. Seguindo a tradição soviética, o desfile pôde ser assistido in loco apenas por convidados especiais e foi transmitido ao vivo pela TV. Mais de 30 aviões militares e helicópteros sobrevoaram a capital russa.
Este tipo de demonstração de força era comum no período da Guerra Fria, quando a intenção era desafiar o Ocidente e mostrar o poderio bélico da URSS. Para analistas, o desfile de ontem teve um significado a mais. Se, no seu discurso de posse Medvedev tentou dar um recado mais liberal, a parada militar seria a outra face da mesma moeda: a Rússia querendo se afirmar no novo contexto global.
Num tom nacionalista, Medvedev disse que é preciso fazer tudo para evitar que as tragédias do passado se repitam.
- É preciso um enfoque sério em relação a qualquer tentativa de semear disputas raciais ou religiosas, fomentar a ideologia do terrorismo e do extremismo, e interferir em questões de outros Estados, sem falar nas tentativas de revisar fronteiras - afirmou ele, ao lado de Putin.
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