Tuesday, September 26, 2006

O Canal que liga os Oceanos



Canal do Panamá

Já no século XIX o grande libertador das américas, Simon
Bolívar, determinou estudos para saber da viabilidade da obra.
O grande movimento de tráfego entre a Espanha e suas colônias no litoral americano do Oceano Pacífico desencadeou as primeiras iniciativas para a construção do Canal do Panamá. A primeira idéia concreta partiu do historiador López Gómara que em 1551 apresentou ao governo espanhol um projeto de construção de um canal que ligaria os oceanos Pacífico e Atlântico. Mas o rei Filipe II ignorou o projeto e ainda declarou: "Deus afirmou a sua vontade pela criação de um istmo contínuo".

No século XIX o grande libertador das américas, Simon Bolívar, ressuscitou a idéia e como presidente da República da Gran Colômbia, determinou estudos para saber da viabilidade da obra. O resultado dos estudos fez com que Bolívar desistisse. Tornou-se óbvio que os países da região, todos pobres, não teriam condições de arcar com os custos de um empreendimento desse tamanho.

Com a descoberta de ouro na Califórnia, os Estados Unidos fez renascer o projeto. O problema era que nesta época (1830-1850) a Inglaterra tinha a hegemonia econômica e, portanto, da navegação na região da América Latina. Em 1850 os dois países firmaram o acordo de Clayton-Bulwer. O pacto estabelecia que os EUA e Inglaterra dividiriam o contrôle das ferrovias e canais que viessem a ser construídos no istmo. Alguns anos depois isso foi feito quando da construção de um ferrovia que unia os dois oceanos.

Em 1881 o empresário francês Ferdinand Lesseps, que já tinha construído o Canal de Suez, no Egito, criou a Compagnie Universelle du Canal Interocéanique de Panamá e deu início aos trabalhos. Os ingleses e americanos não se opuseram e passaram a concessão aos franceses. A empreitada não foi muito adiante. Problemas técnicos e financeiros não foram os motivos do fracasso e sim o clima tropical e a febre amarela que matou dezenas de trabalhadores. Dez anos depois os franceses organizaram a Compaigne Nouvelle du Canal de Panamá(1894). A companhia realizou algumas obras e não levou adiante o projeto pois seu interesse era manter a concessão e repassá-lo a outros interessados.

Com a desistência dos franceses de levar adiante a construção do canal, os Estados Unidos resolvem de uma vez por todas abraçar o projeto. O primeiro passo foi entrar em negociações com os ingleses para revogar o tratado de Clayton-Bulwer. Em 1901 firma um novo acordo chamado Herran-Hay. Nele os ingleses reconheciam o exclusivo "direito" norte-americano na construção e administração do Canal. A ação seguinte foi a de evitar problemas com a França adquirindo a concessão e as ações da falida companhia de Lesseps. Logo após o governo conseguiu a aprovação do Congresso americano e promoveu a independência do Panamá (a região era dominada pela Colômbia), em 1903.

O tratado assinado pelo secretário de Estado americano, John Hay, e o representante colombiano, Bunau Varilla, em 18 de novembro de 1903, concedia a Washington o arrendamento perpétuo com total soberania sôbre uma faixa de terra de 16km de largura, do Pacífico ao Atlântico, incluindo a ferrovia (77km), as águas do lago Gatún e os terrrenos ao redor, numa linha de contôrno até 26 metros do nível do mar. A superfície total envolvida era de 1.676 km², incluindo 5 km mar adentro em cada oceano. Pelo território cedido, o Panamá recebeu US$10 milhões e mais uma compensação anual no valor de US$ 250 mil dólares. No ano seguinte iniciaram-se as obras do Canal.

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